Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Teoria Geral da Small Talk Economy (STE)

Todo mundo adora conversa fiada. O interesse por saber qual a altura do muro do vizinho que impede o cachorro do vizinho do seu vizinho de invadir o quintal do primeiro vizinho. Qual a estrutura do sofá de um colega de trabalho. Essas abobrinhas que tornam a telefonia celular fundamental nas relações humanas. Mas qual o valor de troca estabelecido para que alguém fale mais groselhas e a outra pessoa escute?

Creio que o fenômeno está em levar a conversa fiada a sério. Não como ouvinte, mas como economista. Precisamos da Small Talk Economy, vulgo STE. Para tal, é necessário identificar credores, devedores, a moeda de troca e as reservas de valor para o sistema permanecer azeitado.


Quando você dá sopa, um conhecidoo te chama pra conversa fiada. Começou o escambo. “Eu escuto, mas você me paga com juros”. A groselha relatada gera créditos pra quem ouve. Mero comércio: atenção agora para falar no futuro. As belas amizades nascem assim (pela STE, amizades seriam acordos bi-laterais de livre comércio). Os chatos são chatos porque só eles falam, isto é, ficamos com créditos que não poderão ser descontados na mesma moeda.


Mas a economia não fica apenas no troca-troca. Para a funcionar de verdade, é necessário a criação de reservas de valor. Como instituir Fort Knox e as Suíças da conversa fiada? Fácil, essas reservas de valor são popularmente conhecidas por  “pessoas simpáticas”.  Eles não estão interessados nas suas baboseiras, só estão investindo em audição, para depois aplicar com juros na própria “conta-simpatia”.


Simpáticos de carteirinha são aqueles que ouvem mais, e descontam menos. Os investidores da marmelada tem nossa estima porque são como “bancos”. Se começarem a sacar de suas enormes conta simpatia, o sistema da STE poderá ruir. Simpáticos, quando ouvem, emitem um CDS para o falastrão, e os falastrões podem continuar contando besteiras (“mantendo o sistema”). Por coincidência, CDS pode ser Certificado de Depósito Simpático, ou Credit Default Swap.


Como tudo começou? Hipótese Adão e Eva. Mulheres sentem enorme vontade de diálogo post coitus. Precisam de créditos, precisam ouvir! Claro que as demandas se invertem rapidamente, onde a mulher passará quarenta minutos relatando suas “emoções”.Teremos credores e devedores ávidos pelo início do pregão. E mais um dia selvagem no mercado financeiro da conversa fiada.  


Infelizmente, como ciência humana, a Economia jamais chegará a precisar o valor exato das trocas. Economistas que dizem saber o segredo são apenas “econometristas”. Estão pensando corretamente sobre premissas erradas, e são chatos: querem sempre descontar com prêmio suas junk-marmeladas.