Não sei, e pergunto: por que saber isso? Nós queremos todos os benefícios duma sociedade de consumo, porém sem arcar com o ônus e as obrigações dessa sociedade. Como crianças mimadas e seus brinquedos antes do dever de casa. Nestes casos, o termo "desobediência civil" costuma ser invocado. "Não podemos aceitar, vamos protestar no Facebook!" E o indivíduo tenta se livrar de um sistema opressivo, burocrático e capitalista, do qual ele faz parte e é agente ativo.
Esse paradoxo foi exposto em Walden (um livro chato e obrigatório) e Clube da Luta (um filme legal, mas não li o livro). Quanto mais o indivíduo possui, mais ele é refém dos seus "bens" e da sociedade. Quanto menor a propriedade, mais liberdade e independência, portanto, maior a possibilidade de desobediência civil verdadeira. Madura. Efetiva. Logo, o único jeito de burlar o sistema é saindo dele. Deixar tudo o que mais gosta, incluindo parentes queridos, seu DVD player "toca tudo" e qualquer possibilidade de ser visto como um cidadão com direitos (lembre-se: sem deveres não há direitos. Bem vindo a selva).
Drop out! Mas não é fácil. Pior que tirar o dente do siso. Como animais sociais, morremos de medo da exclusão, da falta de recursos e de ficarmos desamparados numa tempestade. Fica clara a diferença entre um anarquista legítimo e um bocó infantilóide seguindo cartilhas da esquerda meia-boca (a esquerda de Facebook, a pior de todas). São raros os auto-excluídos, os que vivem sob as próprias regras. Hiperbóreos.
Antes de reclamar do "sistema", olhe para um espelho. Ali está o verdadeiro ditador opressivo e fisiológico. A criancinha viciada em doces que vai dormir sem escovar os dentes. O babaca que assiste filme pirata e diz que "é uma crítica ao capitalismo".