Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Curtas Insones

A pessoa normal se confunde entre a terça e a quarta-feira. O insone se confunde entre a segunda e a quinta-feira.

+_+

Hipóteses insones: a) algo ocorreu, b) algo ocorreu e sonhei com ele, c) algo não ocorreu e sonhei com ele, d) algo não ocorreu, e) não me lembro se algo ocorreu ou se sonhei, f) lembro de que algo ocorreu e não ocorreu, g) sonhei que não lembro se algo ocorreu, h) n.d.a... e por aí vai ad infinitum. 

+_+

Será que a sociedade atual valoriza o insone (afinal, ele trabalha mais, come mais, toma mais remédios, lava mais louça, lê mais, navega na internet mais, pratica mais esportes e bebe mais café), ou será que a natureza valoriza o insone? Se papai e mamãe dormissem mais, não haveria sete bilhões de humanos vivos. Exemplo: recém-nascidos que morrem dormindo ou morrem porque os genitores dormiam.

+_+

Talvez doente seja quem durma oito horas ou mais. Eles fazem leis estúpidas sobre barulho durante a madrugada. Confundem inércia com saúde, longevidade com produtividade. Padecem do ritmo circadiano crônico, e impedem o progresso da civilização através do sono polifásico.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Amo meu cachorro porque ele me ama!

O maior perigo do investidor em bolsa é a afeição. (Não, emoção não é o maior perigo. Passamos emoções toda hora, e até gostamos dos dias de rogue trader, circuit braker e BC´s histéricos. Estamos acostumados a emoções, seja lá quais forem... Zica mesmo é a afeição).

Você compra algumas ações de uma empresa que admira. Essas ações sobem. Você compra mais. E elas continuam subindo. Você então vende algumas ações e dá entrada num apartamento. Ou seja, aquela empresa proporcionou o infame "sonho da casa própria". E as ações continuam subindo, e você continua comprando.

Ehhh.... que vida feliz com suas ações preferidas! All you need is love.

O apego é um traço emocional valorizado em nossa sociedade. Se ama seu cachorro, isto faz de você uma pessoa boa. E se ama suas ações, você é pessoa boa com a carteira explosiva. Essa a diferença entre seu cachorro e suas ações. O primeiro te ama porque depende de você. A segunda nem sabe que você existe (embora o departamento de Relações com Investidores insista no contrário).

Use a razão. Sua partipação na empresa é de 0,001822%. Sua afeição 100% não pode influenciar os resultados ou os destinos da empresa. Logo sua afeição deve ser proporcional ao seu share: 0,001822%. Cruel. Já o seu cachorro está geneticamente programado para gostar 100% de você, desde que você esteja entre os majoritários.

Creio que essa seja uma das lições mais duras do mercado financeiro. E talvez seja por  isso que tanta gente desiste da bolsa. A afeição recíproca nunca será verdadeira. Muito mais confortável e compreensível ter cães que ações.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quanto custa o "caro"?

Uma ruiva escandalosamente linda custa 500 por meia hora. Moralistas e babacas vão reclamar "só meia hora?!". Geralmente moralistas e babacas são casados com mulheres que consomem bem mais de 500 por mês, estão a anos-luz da beleza neanderthal da ruiva, e ainda geram gastos com advogados, analgésicos, automóveis, analistas, escapadas com moças escandalosamente lindas de 500 reais. E, por fim, não criam 30 minutos de satisfação como a ruiva citada.

Ao tentar seduzir uma ruiva semelhante, quanto um cara gastaria? Imaginem a energia, o tempo e a propaganda envolvida nesta batalha. Roupas, carros, papo, celular, chopperias, baladinhas....Mas tudo isso seria investimento de risco. O cara pode ficar na mão, literalmente (caso a ruiva seja lésbica / depressiva / locavore com manias ascéticas, ou outro pretendente tenha um handicap melhor).

Vamos passar agora para o outro lado. Sabe-se lá como, o sujeito conquistou a ruiva blockbuster. Quanto custa mantê-la? Ela vai ligar para o cara. Vai exigir atenção (afinal, o handicap alto envolve fluxo de caixa). Embora seja linda, talvez seja desajeitada na cama. Como pagar caro por um equipamento que não faz justamente o que você queria que fizesse. E a devolução envolve uma burocracia infernal.

Ao início: a ruiva de 500 mangos meia hora que é cara? Qual a participação das estúpidas ilusões românticas no PIB mundial? Não são imorais justamente as namoradinhas de boa procedência procurando suas almas gêmeas* para constituir família e felicidade conjugal?

* O tonto que pagará por sexo amador com cobertura de neurose profissional e o delicioso chocolate "estou ficando louco enquanto faço o máximo para ser normal".

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Explicando (não muito) o Explicadinho

Fácil de conhecer. Pergunte se ele prefere manteiga ou margarina. O explicadinho começa a elocubrar os benefícios de uma, os malefícios de outra, de que disse seu avô uma vez no sítio lá em Guararema blá blá blá (vovô não era Marlon Brando, e portanto não teve experiência digna de nota com manteiga ou margarina). 

Se fossemos capazes de parar o tempo, seríamos capazes de prever todo o discurso do explicadinho. Mas vou eliminar outras longas explicações sobre o explicadinho: se ele fosse criativo, diria algo novo. Se ele fosse inteligente, não entaria no mérito. E se ele fosse louco, ninguém perguntaria. Logo, o explicadinho é não-criativo, não-inteligente e não-louco. Então por que puxar papo com essa porra de pessoa?

Assim que encontrar um explicadinho, vire as costas. Alguem vai olhar a sua desfeita, o explicadinho interpretará o olhar do incauto como um olhar de curiosidade. E ele continuará a explicação para a pobre vítima do seu desdém. 

(E se alguém der as costas para o explicadinho, não olhe. Jamais. Lembre-se da Medusa!)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O que consigo escrever entre 47% e 50%...

Resolvo fazer uma faxina no meu computador. Com a ferramenta Varrer Disco, espero eliminar tranqueiras e espaços vazios. Que beleza! Ativado o negócio, a primeira mensagem diz "02% concluído. 34 segundos restantes". Vai ser rápido, penso primitivamente... 

Mas aos 12%, o programa diz que faltarão 8 minutos. Começo a prestar atenção na evolução da coisa. O tempo voa, e a porcetagem rasteja. Agora em 47%, faltam só cinco horas para acabar. E já faz um bom tempo que a coisa empacou nos 47%.

*

Pergunte para alguém qual a probabilidade de ser atingido por um raio. Pequena, dirão. E qual a probabilidade de ser atingido por um segundo raio, após o primeiro choque de azar? A resposta será que a probabilidade é menor ainda. E um terceiro?

Oras bolas elétricas. Se a pessoa levou um raio, é bem provável que ela tome outro num futuro próximo. E se isso acontecer, o terceiro raio é questão de tempo (nos dois sentidos). 

*

Esse é um clássico comportamento de estudante. Se determinada tarefa é complexa, será conveniente dar um longo prazo para que ela se realize. Assim, o pilantra acha que o TCC deve ser entregue só no final do ano, pois então ele teria o ano inteiro (de prazo) para completar a tarefa (o que nunca ocorre).

Essa síndrome da "complexidade leva tempo" atinge também artistas e escritores. O que é ótimo. Muitas ambições superiores precisam de décadas de prazo. Quanto maior a obra, maior o tempo. Mas então os artistas morrem de velhice durante o prazo, e nós ficamos livres de suas criações tão modorrentas.

sábado, 15 de setembro de 2012

Vote Longe

Você pode comprar qualquer sapato que quiser, e também pode não comprar sapato algum. Não existe lei dizendo que você não pode ficar descalço. Foi feita a escolha de não escolher sapatos. Justíssimo.

Você pode usar o corte de cabelo que mais gostar, e do mesmo modo, não há lei obrigando cortar o cabelo. Sua escolha é a não escolha. Nem o maior gênio do direito alegará que houve violação dos deveres de cidadão cabeludo.

Você pode votar em quem quiser, mas há uma lei dizendo que você tem que votar. Ou ao menos comparecer a uma zona eleitoral de outro município e dizer que não foi capaz de votar em sua própria cidade. Logo, você é obrigado a escolher um candidato / branco / nulo, ou obrigado a justificar que estava em outra cidade e não pode escolher. Não há a opção de ignorar o pleito.

(Imagine o descalço e o cabeludo protocolando justificativas de suas escolhas. "Não uso sapatos porque meu sapateiro fica em outra cidade e não posso ir descalço até lá". Ou "minha banda de Metal está em turnê".)

Por isso acho uma idiotice a apologia do voto nulo. Somos obrigados a escolher alguém, escolher nulo ou escolher em branco. Mas não temos a escolha de não escolher. Somos forçados à democracia. Quero registrar minha ojeriza ao voto obrigatório e iniciar o movimento do Voto Longe. Se sou obrigado a escolher, então opto por viajar. Hasta la vista.

Bônus: a banda de blues mais tarja preta, com o blues mais triste do mundo.

sábado, 8 de setembro de 2012

That rug really tied the room together, dude.

Enfie um microfone na cara de alguém e pergunte: "por que você acha que as tatuagens fazem tanto sucesso hoje em dia?" E lá vem a sociologia de boteco. "É porque as pessoas hoje se sentem anônimas e sem nada que defina suas personalidades, que as diferenciem no meio da multidão".

Esse palpite envolve duas falácias. First, que antigamente as pessoas se sentiam bem sendo quem eram, e não havia a necessidade de se diferenciar da multidão. Segundo, que a suposta "multidão" provoca anonimato que provoca angústia que causa tatuagem que diferencia na multidão. Comprar um tapete também define personalidade. Por que pessoas tatuadas compram carros cor de panela (cinza, teflon, grafite, prata, platina) se elas querem ser alguém no meio da multidão?

Estamos numa época fácil pra ser alguém. Qualquer imbecil consegue aparecer na televisão. Não precisa de esforço sobrehumano para escrever um blog e ganhar centavos com propaganda do Google. Faça um vídeo tonto e se torne viral nas redes sociais. Há Twitter, Craiglist, Facebook. Nunca foi tão fácil ser famoso, celebridade, notório ou infame. Portanto, "investir" 2 mil dólares num dragão nervoso não me parece o modo mais acertado para ser alguém.

Agora falemos das tattoos. Antigamente, antes da energia elétrica, o tatuado passava por uma tortura. O processo era manual, envolvia grandes riscos de infecção, e o bom tatuador era privilégio de mafiosos ou templos religiosos. Só marginalizados tinham acesso a tatuagens (toscas, claro). Portanto é óbvio que ninguém faria tatuagem só pra se diferenciar. Havia maneiras mais seguras e mais eficientes.

Hoje você paga barato pra ter seu dragão nervoso num studio asséptico. O processo será praticamente indolor e sem vínculo com organizações mafiosas, religiosas, laborais, etc. As suas estrelinhas podem brilhar no céu de sua vaidade, mas há milhares delas num shopping center. O cara do "braço fechado" é só mais um cara com "braço fechado". Tatuagem não diferencia ninguém. Aliás, pode ocorrer até o contrário: a pele limpa sendo um diferencial. Mas, para o tatuado, sua decoração é fator de distinção entre ele e a multidão. Logo se vê que o papo de "ser alguém na multidão" não passa de uma grande babaquice subjetiva.

Então porque há filas na porta dos tatuadores? Bem, simplesmente porque tatuagens são bacanas e envolvem poucos riscos e custos (hoje). É um modo indelével de registro e cronologia pessoal. E, dependendo MUITO do desenho, pode sim te diferenciar na sociedade. Exceto que estrelinhas, dragões, tribais, "fechar braço/perna/piroca" e espirais com espuminhas serão usadas por aqueles que acham que as tatuagens definirão personalidades. Personalidades profundas como tapetes ou papéis de parede.

Bônus: na primeira vez que vi esse filme, eu também estava encanado com um tapete. Vermelho. Mais vermelho que o sangue de todos os demônios do inferno. Era um senhor tapete definidor de personalidades.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Melhor vida = pior morte?

Airbags. Flúor na água. Iodo no sal. Orgânicos. Ômega 3. Antibióticos pra gastrite. Diagnósticos precoces. Hipoalergênicos. Planos de saúde e previdência. Filtro solares. Ração humana. Redução de estômago. Farinha de trigo enriquecida com vitaminas. Controle de incêndios. Controle de tsunamis. Prédios a prova de terremotos. Janelas inquebráveis. Sensores de presença. Aparelhos de exercícios domésticos. Para-raios. Detergentes verdes. Nutricionistas e fisioterapeutas. Personal Trainers.

Esses, e inúmeros outros, são mecanismos que a sociedade encontrou para melhorar e incrementar a saúde humana. Vive-se mais hoje do que ontem. Viveu-se mais ontem do que no século passado. Viveremos mais no futuro do que hoje. 

E isso pode ser péssimo. Criamos infinitos mecanismos de saúde, e extinguimos mecanismos de morte. Menos guerras, menos pestes, menos desastres. Mais saúde! E por consequência, mais gente senil, demenciada, acamada, vítima de doenças crônicas e incuráveis. Pessoas que entraram na espiral de doença que geram gastos com doenças que geram doenças e que não morrem facilmente. Gente saudável levando anos e fortunas para morrer. Só pra morrer, orgulhosamente, aos 90 anos (o que essa produziu dos 70 aos 90 anos senão justificativas para o sistema de saúde existir?).

Meu conselho: Coma, beba, fume, não use capacete, ria dos orgânicos... A sua vida será melhor que a dos outros, e a morte também.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Show me the money!

(Sei que posso ser acusado de misógino, simplista, machista, capitalista selvagem [que configura um elogio ante minha visão de mundo], misantropo [idem], putanheiro e canalha [ibidem]... mas:)

Toda mulher se prostitui. As mais honestas se prostituem apenas por dinheiro*.


* Segue pequena lista de ativos ilíquidos que podem ser trocados por sexo:

a) carro (é líquido, mas não é ativo)
b) status
c) segurança
d) romance
e) real estate (é liquido, mas as moças são adeptas do buy and hold)
f) relações familiares
g) crédito (inclui cartões de crédito, empréstimos consignados e vale refeição)
h) genética favorável
i) drogas

sábado, 1 de setembro de 2012

Curtas

O sincero sofre o mesmo problema do vegetariano. Ambos acham que estão melhorando o mundo com suas atitudes baseadas em idéias completamente equivocadas.


Você lê um artigo incrível na internet, e resolve mandá-lo para uma pessoa especial (automaticamente vai junto uma mensagem do tipo "Leia antes de imprimir, salve as árvores e bla bla bla"). Mas então, semanas depois, surge o tema do artigo durante o almoço. Você pergunta se a pessoa leu aquele artigo, e a resposta é frustante. Não, não consigo ler no monitor... Seus artigos merecem ser impressos? Pessoas que não lêem no monitor merecem seus artigos? Imprimindo mais não geramos mais árvores? Será que aquele artigo era tão incrível assim?


Se a pessoa não tem dinheiro e não tem um carro, então ela é pobre. Mas se ela tem dinheiro e não tem carro, então se torna estranha. Do mesmo jeito que existe a parada gay, acho que está na hora de criar algo que valorize o povo que não tem carro por vontade própria. A Parada do Orgulho a Pé.