Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

sábado, 8 de setembro de 2012

That rug really tied the room together, dude.

Enfie um microfone na cara de alguém e pergunte: "por que você acha que as tatuagens fazem tanto sucesso hoje em dia?" E lá vem a sociologia de boteco. "É porque as pessoas hoje se sentem anônimas e sem nada que defina suas personalidades, que as diferenciem no meio da multidão".

Esse palpite envolve duas falácias. First, que antigamente as pessoas se sentiam bem sendo quem eram, e não havia a necessidade de se diferenciar da multidão. Segundo, que a suposta "multidão" provoca anonimato que provoca angústia que causa tatuagem que diferencia na multidão. Comprar um tapete também define personalidade. Por que pessoas tatuadas compram carros cor de panela (cinza, teflon, grafite, prata, platina) se elas querem ser alguém no meio da multidão?

Estamos numa época fácil pra ser alguém. Qualquer imbecil consegue aparecer na televisão. Não precisa de esforço sobrehumano para escrever um blog e ganhar centavos com propaganda do Google. Faça um vídeo tonto e se torne viral nas redes sociais. Há Twitter, Craiglist, Facebook. Nunca foi tão fácil ser famoso, celebridade, notório ou infame. Portanto, "investir" 2 mil dólares num dragão nervoso não me parece o modo mais acertado para ser alguém.

Agora falemos das tattoos. Antigamente, antes da energia elétrica, o tatuado passava por uma tortura. O processo era manual, envolvia grandes riscos de infecção, e o bom tatuador era privilégio de mafiosos ou templos religiosos. Só marginalizados tinham acesso a tatuagens (toscas, claro). Portanto é óbvio que ninguém faria tatuagem só pra se diferenciar. Havia maneiras mais seguras e mais eficientes.

Hoje você paga barato pra ter seu dragão nervoso num studio asséptico. O processo será praticamente indolor e sem vínculo com organizações mafiosas, religiosas, laborais, etc. As suas estrelinhas podem brilhar no céu de sua vaidade, mas há milhares delas num shopping center. O cara do "braço fechado" é só mais um cara com "braço fechado". Tatuagem não diferencia ninguém. Aliás, pode ocorrer até o contrário: a pele limpa sendo um diferencial. Mas, para o tatuado, sua decoração é fator de distinção entre ele e a multidão. Logo se vê que o papo de "ser alguém na multidão" não passa de uma grande babaquice subjetiva.

Então porque há filas na porta dos tatuadores? Bem, simplesmente porque tatuagens são bacanas e envolvem poucos riscos e custos (hoje). É um modo indelével de registro e cronologia pessoal. E, dependendo MUITO do desenho, pode sim te diferenciar na sociedade. Exceto que estrelinhas, dragões, tribais, "fechar braço/perna/piroca" e espirais com espuminhas serão usadas por aqueles que acham que as tatuagens definirão personalidades. Personalidades profundas como tapetes ou papéis de parede.

Bônus: na primeira vez que vi esse filme, eu também estava encanado com um tapete. Vermelho. Mais vermelho que o sangue de todos os demônios do inferno. Era um senhor tapete definidor de personalidades.