Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Matei, limpei, assei e comi.



Dois opostos me intrigam. E aos dois tenho resistências. Um deles é o movimento vegetariano. Creio que ele tem origem num movimento quietista culpado, de resignação covarde, ignorante da gastronomia, repleto de clichês politicamente e ecologicamente corretos, além das balelas pseudo-nutritivas-nutricionais promovidas por senhoritas esquálidas ou hippies anêmicos e subnutridos.

Outro movimento que desprezo é a junkie-food rápida, fácil, barata e industrializada. O povo semi-obeso que joga fora comida com presunto, que gosta de Mac-Donalds (ou outra franquia qualquer) por não saber fritar ovo. Gente que desconhece o trâmite que há entre uma sardinha nadando no oceano e as sardinhas em lata. Babacas que julgam sushi chique e nojento o bife tártaro. Além dos cretinos que desconhecem a origem da carne moída vendida nos hipermercados e acreditam que vegetais cozidos e enlatados fazem bem para a saúde.

Acho que a visão sensata e realista seria através de uma pedagogia mais radical e primitiva da origem dos alimentos. Onde nascem, como crescem e o que comem. O bom seria aprender a matar galinhas, porcos, peixes e bois com as próprias mãos. Na faca e no machado. Como se limpam as vísceras e drena-se o sangue. Os cortes e o que fazer com cada parte do animal. E como cozinhá-las de maneira simples e rústica. Sem frescura e sem maquiagem (onde a Bicho-Carne deixa de ser boi, peixe, porco e galinha pra virar bandeja numa gôndola ou foto fake em lanchonetes).

Eu passaria minhas próximas férias, e pagaria uma boa grana, só pra aprender onde fica exatamente a picanha. Como se faz bacon a partir do porquinho Baby. Além da galinha ao molho pardo e ceviche de pescado (de verdade). Este seria o verdadeiro conhecimento holístico que não permitiria a fragilidade emotiva vegetariana ou a hipocrisia salsichesca bruta e sem paladar. O homem de carne que come carne.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Guarujá parte 2 - As pessoas e o dinheiro






Correto estava o primeiro proprietário. Comprou o apartamento e morreu. Z e as três Marias praticamente ganharam este "grande patrimônio". Talvez por isso seja tão difícil para elas se desfazerem do imóvel. Foi presente. E coisas ganhadas não podem ser vendidas ou dadas para outras pessoas. Como uma maldição no estilo filme de terror B, elas carregarão o apartamento até a tumba. 

Há o delírio burguês também. A família sempre nutriu idéias tolas de que faz parte de uma suposta elite financeira e intelectual de São Paulo. Aquele bom e velho orgulho da classe média-média. Clichê manjadíssimo, mas mesmo assim, eficiente. E se a pessoa quer ser desta elite, lógico que precisa ter uma apartamento no Guarujá. A estupidez fica patente: não há dinheiro nem inteligência, e se mantém um apartamento grotesco na praia.  

Uma maneira simples de se identificar pobres é observando o quanto eles gastam em itens que simbolizam: "eu não sou pobre". Assim, frequenta-se o transporte público urbano e aparecerão cretinos com celulares de último tipo, correntes de ouro e roupas que custam metade da renda mensal daquela anta. Se ela tivesse dinheiro mesmo, não andaria de ônibus. Na cabeça dela, a demonstração destas coisas dão o conforto de não parecer um miserável completo. Para quem está fora, é óbvio que é um pobre nada inteligente. 

Um apartamento de frente para o mar também pode ser incluído nesta simbologia "eu não sou pobre"? Depende. Qual é a renda do proprietário? Se aquele apartamento representa uma nesga, uma gotinha perto do mar de dinheiro que ele tem... então tudo bem! O cara pode ter esse apartamento e até se esquecer que tem esse apartamento. O cara é da elite mesmo. Mas e quando as proprietárias são Z e as três Marias (wanna be elite)? O custo do plano de saúde de Z é rachado entre as três Marias. Fica claro que a proprietária não tem renda mas quer manter, arbitrariamente, um símbolo de status social.  

Z vive de sua aposentadoria. Mal dá pra subsistência. As três Marias tiveram sucesso em suas vidas profissionais. Mas sobra pouco. Nenhuma delas teria condições financeiras para manter, solitariamente, um apartamento de frente para o mar. Mas Z e as três Marias, mais o dinheirinho pingado dos aluguéis, mantém o "patrimônio". Um imóvel de veraneio trazendo estagnação e destruição de valor para toda uma família. É realmente uma delícia de apartamento.

Lembra do ditado que "duas cabeças pensam melhor que uma"? Está errado. Este apartamento é a prova de que quatro cabeças não chegam nem perto de um pensamento. Quando se vê Z e as três Marias discutindo o que será feito no (ou do) Guarujá, fica fácil ser misógino. Algumas características negativas da mulher tornaram-se diretrizes: profunda ignorância financeira, apego a um passado sem sentido, farsas sobre os laços de família e sacrifícios financeiros para que se mantenha aquele grande sinal de "eu não sou pobre!". O grande monumento à burrice familiar.   

Separadas e sozinhas, elas consiguem definir, de maneira talvez aproximada, o significado destas palavras: inflação, juros, depreciação, investimento, passivos e ativos. Mas se você juntá-las, não haverá mais definição alguma. A coisa se torna puramente sentimental. E se eu falar sobre vender o Guarujá, as reações serão histéricas. Dramáticas. "Seu arruinador de famílias! Seu ingrato! Egoísta!" Mas eu queria que vocês reconhecessem o termo técnico, frio e imparcial da "depreciação". Que há de mau em mim quando penso em juros? Eu nunca imaginei, antes desta situação, que a Economia pudesse gerar este tipo de dramalhão mexicano.

Assim, eu não vou perder tempo com estes conceitos financeiros não colocados na consciência ou em prática. Eu sei que não serão colocados em prática. Trata-se de uma octagenária e três sexagenárias. Vai se ensinar o quê sobre finanças domésticas a essa altura do campeonato? Então imagino o que vai acontecer com aquele apartamento:

a) Z falece (sabe-se lá quando) e magicamente as três Marias decidem vender o apartamento? Duvido. Enquanto isso, ele continua sorvendo dinheiro apenas pra continuar de pé.

b) Z falece (sabe-se lá quando) e o conflito entre as três Marias aumenta e o apartamento continua lá, demandando mais dinheiro? Este tópico abrange mais possibilidades:

   - Cisma entre as três Marias com intervenção judicial na mais renitente anti-venda.

   - Cisma entre as três Marias com um acordo mambembe de que a mais renitente anti-venda arcará com os custos do apartamento (o que implica a ruína completa do imóvel, tendo em vista que a mais renitente anti-venda também é a menos capitalizada das Marias).

   - Uma Maria compra a parte das outras Marias. O que não ocorrerá pois elas não tem dinheiro e nunca terão, exceto ocorra algum providencial lance do destino. 

   - E falando em lances do destino: quanto custa um terrorista islâmico e por que tsunamis não varrem a cidade de Guarujá do mapa? Tais fenômenos eliminariam a propriedade. Não se teria o dinheiro da venda, mas também não se arcaria com a manutenção nunca nunca nunca mais. A situação do Guarujá é tão absurda, que esta possibilidade acaba sendo a mais sensata e exequível das hipóteses.

c) Z é iluminada milagrosamente. Jesus aparece e manda ela vender o apartamento. Z vende, mesmo sabendo que enfrentará a fúria irracional da Maria caçulinha. A sangria de dinheiro é estancada. Ainda vai sobrar algum pra ajudar as vidinhas remediadas de Z e as três Marias (principalmente a mais furiosa).

Enfim, é isto. Paro de escrever senão minha tendência a pegar pesado passará dos limites. Ainda faço parte desta família. Mas declaro minha ojeriza ao apartamento do Guarujá. Não apoiarei qualquer iniciativa familiar para que se mantenha ou "invista" naquela loucura matriarcal exterminadora de dinheiro e só colocarei meus pés novamente naquele apartamento quando ele estiver vendido. Aproveito para convidar a todos para a festa que acontecerá neste dia, neste mesmo apartamento. Terá queima de fogos, mulatas e bateria de escola de samba. Tudo regado a Johnnie Walker Blue Green Platinum Sei lá, o mais caro dos Labels. E apesar de meu absoluto ateísmo, tornei-me devoto de Santo Expedito. A festa será homenageá-lo. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Guarujá - parte 1 - O Apê


Não adianta. Tudo que você põe lá apodrece, enferruja, pega cupim ou, no mínimo, mofo. Estupidifica-se. O azeite fica rançoso, a tinta que você acabou de por na parede já está gosmenta. É o fim sem princípio. A decadência materializada. Chega-se a testemunhar os fungos crescendo entre os dedos do seu próprio pé. 

As cortinas são grossas, como se fosse esperado um apocalipse.  Elas tem várias camadas de panos. Às vezes, não se consegue sair por entre elas. Fica-se preso, emanharado, asfixiado, e um pó ancestral cai em você. Dá agonia e certo nojo. Mas a saída facil não é objetivo destas cortinas. Foram projetadas para que se evite a entrada da maresia: o miasma que corrompe a matéria e destrói inteligências. 

Tenta-se evitar a falência material colocando lençóis em cima das coisas. E outros panos por cima dos lençóis. Só o sofá tem milhares de tecidos por cima. Porém, isso é só maquiagem psicológica. Pura negação. A maresia está no ar. Você pode respirar. Panos pra que não se veja a podridão que já está por tudo, agindo continuamente, a revelia dos esforços humanos. 

E tem gente que acha o ar marinho terapêutico. 

Espelhos novos ficam com pontos negros. Aquela madeira incorruptível tem cupins insistentes, incansáveis. Todo o dinheiro colocado como investimento se torna baço, inchado, cirrótico, desfacela-se com umidade e sal. De vez em quando o apartamento fica fechado por um bom tempo. E então, quando você entra, o sapato gruda no chão, tudo está pegajoso. E chega-se a cogitar em alguma doença neurológica em que o todo o universo parece gosmento. Mas não é doença não. O apartamento está todo gosmento de verdade. Daí as pessoas dizem que estão muito felizes por estarem ali, na praia. Por Jupiter!

Então você desiste, se joga numa poltrona pegajosa cheia de panos e decide entrar no humor local. Praia, eba! Abre uma cerveja e alcança uma revista de 20 anos atrás. Lê notícias que nem foram grande coisa na época que a revista foi escrita. Vê anuncios de carros que hoje são sucatas. Que merda tautológica. Levanta-se e pega um livro da estante. E esta  "biblioteca" merece um espaço só para ela.

O apartamento já foi alugado para milhares de pessoas. A pessoas alugam uma vez, se arrependem e nunca mais voltam. Naturalmente. Neste processo, acabam largando mais livros na estante de livros. Não é possível saber se pegam outros livros e levam embora (seria uma ajuda) ou se largam livros ruins como contribuição para aquela joça toda. De todo modo, os livros são de péssima qualidade. Best Sellers. Porcarias que fizeram sucesso em alguma década passada. Livros de veterinária. De escritores babacas que elogiam o mar e a vida praiana. Esse tipo de lixo afim com o ambiente. Quando se abre um deles (alguns já estão grudados), um aroma de papel velho, mofo, marisco e cigarro surge do livro. Melhor não ler nada.

E se pensa que é melhor assim, sem ler nada entre livros inúteis, você pode se deitar um pouco. Há uma cama lotada de ácaros, dura e desajeitada como uma mina de amianto . E o momento decisivo chega: que porra vim fazer aqui? Há tanta coisa legal no mundo, mas você veio se enfiar no meio da putrefação, destes panos gosmentos, de best sellers inúteis e ilegíveis, de saleiros com água dentro, de lençóis mofados, de corrupção universal. Que tipo de idiota aluga esse apartamento? Com milhares de praias, pousadas e hóteis, você vai se enfiar sempre na mesma praia, sempre no mesmo apartamento decadente. Não queira saber de quanto é o condomínio! Essa informação só tornará mais dolorosa a sua estada.

O lenitivo definitivo é o mar. A famosa paisagem marítima. E que não é lá grande coisa. A sacada é apertada. Fica entre um vão dos outros prédios. Com esnobice, declaram que aquele apartamento é privilegiado  pois os apês que dão visão para o mar completo, o marzão-em-si, são desengonçados. Os quartos ficaram estranhos e os banheiros não arejam.  Bom mesmo, de verdade, é o nosso apartamento. Se lá coisas já entram em ruína antecipada, imagino que vida mais desgraçada devem ter esses apartamentos com vista completa para o mar. Devem ser o local perfeito pra cometer suicídio. Ou uma chacina. Sou a favor desta última.

Do apartamento, a paisagem não é horrível. Tem uma ilha hipnótica. Como uma droga alucinógena, o cidadão entra ali e fica olhando, obliterado, aquela composição. Pedras, água, mar, vento, ondas. Nunca coisas tão banais foram tão valorizadas. Conforme o tempo que se passa olhando, não se quer olhar outra coisa. Ignoram-se outras praias. O universo passa  a ter apenas esta finalidade. Se você não olhar a ilha, será excomungado da família (por favor! onde é que eu assino?)

Mas até se pode compreender porque aquilo tem seu charme. Você chega e o porteiro faz de tudo pra ser simpático. Você tem um guarda-sol na praia (embora os proprietários sejam fisicamente incapazes de ir até lá). Há esse charme burguês extremamente sedutor para o cidadão comum da classe média babaca. Ele se sente reconfortado, reconhecido e valorizado quando despreza vendedores ambulantes que passam a cada 30 segundos em seu guarda-sol. Se a sociedade não reconhece meu valor, eu pago meu tributo ao mar! Ótimo, vamos nadar até a África, você na frente porque eu não sei o caminho. 

Se alguém fizer a conta de quanto dinheiro foi colocado ali, mês a mês, ano a ano, obterá uma soma tragicômica. E foi um dinheiro sem retorno. Ele não renderá juros. Não foi corrigido pela inflação, mas destruído pela maresia e pela estagnação familiar. Z e as três Marias poderiam ter feito um uso muito mais sábio desta grana. Mas não. Enfiaram e enfiam tudo neste apartamento do Guarujá. E elas ainda se consideram superiores, mais espertas e elegantes que a média nacional. Mas isto estará descrito na parte 2.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mais imposto = menos consumo?


"Aumentaremos os impostos para o cigarro, assim tornaremos mais difícil o consumo".

Que retumbante falácia. Onde mais se consomem substâncias ditas prejudiciais, também é onde mais se recolhem impostos sobre essas substâncias. Países nórdicos dependem do consumo de álcool, que obviamente não caiu devido aos impostos. Islâmicos fumam caixas de cigarro por dia, sustentando boa parte das receitas governamentais (por favor, não parem de fumar!). Nenhum estado aumenta impostos para daí arrecadar menos. 

A frase acima, pérola politicamente correta, não passa de manchete confortável para as vovozinhas que assistem ao Jornal Hoje. O governo não tem a menor intenção em diminuir o consumo, mas sim em arrecadar mais. O aumento de impostos nunca diminuiu consumo destes infames produtos. 

E as empresas produtoras? O povo pensa que elas terão um futuro complicado pela frente. Mas o povo sempre pensa errado. As empresas fazem um muxoxo teatral e programático. Dizem: "ah, que droga, agora teremos de aumentar os preços para compensar os impostos (o que aumentará nossa receita, nosso giro, nossas margens, nosso tudo... é uma péssima notícia!). 

Campanhas de desarmamento, aumento de impostos, controle de receitas e quebras de monopólios parecem boas para o cidadão comum e ruins para as empresas. Mas é justamente o inverso. Portanto, fique esperto. Você paga mais pela breja, e recebe mais o quê em troca? 

Eu cobraria mais imposto de quem assiste TV e lê revistas tipo Veja, Época, Isto é. Esses babacas quem deveriam sustentar a sociedade. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Casos e Descasos de Sucesso




"Os Afogados de Diágoras" é um símbolo forte. Significa o silêncio para aqueles que foram eliminados (afogados), em contraste com o barulho acerca daqueles que se deram bem na vida (nadadores ou os que sabem se agarrar a algo que flutua). Exemplo simples seria as inúmeras matérias jornalísticas sobre CEO´s fodões, e o nenhum registro sobre os CEO´s falidos . 

Mas e o símbolo contrário? E quando a pessoa não aparece justamente por ter feito o seu trabalho bem? Quem são os desafogados de Antidiágoras? Os gênios do crime calados? Os comem-quietos? 

Só aparecem quando quando fazem merda: Ladrões, estelionatários e foras-da-lei em geral. Agricultores apreciados por narcotraficantes. Anestesistas, cirurgiões e enfermeiros. Funcionários públicos e contadores. Motoristas bêbados. Traders (só aparecem quando viram rogue) e agências de risco. Restauradores, tatuadores, gandulas, mecânicos de F-1 e roadies. Além da população (ah, que bondoso de minha parte!) que não tem seu talento reconhecido, basicamente por não ter qualquer talento a ser reconhecido ou trabalhar na prefeitura local. 

* Este texto não fará sucesso por ter acertado todas as concordância nominal.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Curtas Cortantes

As condições da vida moderna são a causa do aumento da incidência de câncer? Sim... Hoje morremos menos de todas as outras "coisas". Nada mais justo e óbvio que morrer de câncer. 

+_+ 

As condições da vida moderna são a causa do aumento das psicopatologias? Sim... Desde que também se acredite que o passado era idílico, lindo, justo, pacífico, generoso e em harmonia com a natureza. Se você acredita nisto, você merece uma depressão. 

+_+ 

As condições da vida moderna são a causa da sensação de que o dia deveria ter mais horas? Depende. A comparação é entre um playboy milionário de 1920, um suserano da França medieval, um aposentado atual, uma dona de casa de 1950? E o dia teria mais horas para se fazer o quê? Me diga: que porra a humanidade fará com mais horas se ela não faz nada que preste em largas e copiosas 24 horas diárias?!?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Digerindo Natal


Natal é uma puta cidade enorme, e eu adoro putas cidades enormes. As praias não são lá essas coisas, mas quem se importa com praias quando há uma puta cidade enorme atrás? Meu conselho é: acorde cedo. Para uma puta cidade enorme, as coisas fecham cedo demais (22:00).

Camarões Potiguar.

Esse troço precisa virar uma franquia urgente. Serviço competente e agil, menu e carta de vinhos bem casados. Pratos ótimos no preparo e na variedade. Sem segredo, fórmula de sucesso. 

Fomos de camarões ao molho de manga, pimenta verde e arroz com castanhas de caju. Prometemos voltar, voltamos, mas foi num dia em que todos tinham feito a mesma promessa. Havia uma fila quilométrica. Uma pena (eu estava animado pra comer até passar mal).

Mangai

É o mais famoso, o maior e uma grande furada. Buffett gigantesco, serviço horrível e armadilha turística de sempre. Se você é louco por comida nordestina (não é o meu caso), então tudo bem. Pelo menos, foi barato. E o pior: espalha-se pelo mundo feito uma franquia. 

Manary

Deu trabalho achar. É uma pousada, e você precisa que o recepcionista vá com sua cara para ele dizer onde é o restaurante. Chique, estiloso, ambiente "not Mangai". Um pouco intimidador para uma praia (Ponta Negra) onde o povo fica dançando "eu quero tchu, eu quero tcha".

Entrada: mini bruschettas de banana da terra com queijo coalho e manjericão. Prato principal: camarão ao pesto de castanha de caju, nhoque de tapioca com molho de abóbora. Mesmo com o serviço um pouquinho amador, dou nota onze. Se for a Natal, vá ao Manary, e nem passe pela recepção da pousada. O restaurante fica naquela enorme porta vermelha estilo "big trouble in little china" da rua lateral.

Agaricus

Cozinha contemporânea, mas bem afrancesado. Os pratos tem sempre cogumelos, batatas, manteiga e alguma palavra de la république. E o serviço estava excellent. 

Ragu de cogumelos. Hmmm... Nada de novo sob o soleil. Mas savoureux. Pedi o plat de résistance: Camarão ao molho de laranja, mel e pimenta verde. E da-lhe pimenta verde. Mais gratin dauphinois e arroz branco (que nem toquei). Inoubliable

Entusiasmado, pedi o Crème Brulée com Baileys. Quando em Natal, pergunte ao primeiro passante: "Voudriez-vous avoir l´obligeance de me donner l´adresse..." Ah, esquece. Peça pro taxi te levar a Av. Afonso Pena, 529 e fim de papo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Digerindo Noronha

Praias paradisíacas, estrutura precária, preços sensatamente exorbitantes. Fernando de Noronha é um mundinho próprio, tipo Fenda do Biquíni (cidade do Bob Esponja). Mais 10 dias e você se sentirá num inferno de mar transparente, uma Alcatraz cheia de eco-chatos, cervejas caríssimas e quase nada de civilização. Ao menos, não tem mosquitos. E um monte de gatos sociáveis e malemolentes. O tipo de lugar onde se fala: já fui... e nunca mais volto.

Restaurante Varanda

Pequeno e quase aconchegante. Os garçons andando pra lá e pra cá naquele assoalho de madeira irritam um pouco. Mas invoque uma caipirinha (são enormes) e concentre-se no menu e na carta de vinhos. A entrada de polvo com pimentão e vinagre balsâmico estava magnífica. 

Depois, moqueca. O peixe estava espinhento, e a moqueca, em si, mediana. Mas havia uma farofa frita viciante... e o indefectível pirão. Enfim, poderia ter impressionado mais. Serviço competente (raridade na ilha). Eu voltaria, se fosse mais "perto" do planeta Terra.

Restaurante Xica da Silva

Olhando o cardápio (e os preços), pensei "putz, entramos numa fria!". O cardápio estava pra lá de usado, sovado e espinafrado. E a variedade de pratos era pequena. Controlando o impulso de levantar e ir embora, pedi direto o prato principal. Demorou. Outro garçom veio confirmar o que eu havia pedido. Tratava-se de um risoto com mariscos, polvo e camarão, e um filé (cujo peixe não me recordo) ao molho de ervas. Chegou e estava muito bonito, e o sabor, excelente.

Os pratos que chegavam nas outras mesas também tinham esmero visual. E tentando sanar a falta da entrada, pedi sobremesa. Mil folhas de tapioca com queijo coalho, sorvete de côco e calda de goiabada. Por Júpiter! Recomendadíssimo, apesar do serviço estar meio capenga naquela noite (parece que todas as noites são assim). Talvez eles apostem no efeito surpresa. 

Alguma barraca na Praia do Cachorro

Sardinhas inteiras, com cabeça e tudo, empanadas e fritas. Mais as cervejas. Mais a paisagem. É realmente doce morrer naquele ponto específico do mar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ficar famoso foi sorte ou azar?

Condenado a mofar por algumas horas numa rodoviária, resolvi comprar um livro qualquer na banca de jornal. E era uma dessas bancas moderninhas, que parecem mini-mega-stores. Havia tudo do Bukowski lá. 

Que coisa. O cara demorou anos pra ser reconhecido. E foi. Depois, vira best-seller de pocket book em banca de jornal de rodoviária. Não farei qualquer julgamento a respeito. Só quero mostrar as infinitas variáveis que ocorrem na vida e na obra do povo "criativo". 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

e ao pó retornará...


Nesta última noite, tive um sonho estranho. Profético. Sonhei que estava morto.

A sensação de estar morto é uma das melhores que já tive. Na inabalável certeza da morte, nenhuma preocupação me assaltava. Nenhuma ansiedade, nenhum problema. Nada. Não havia o que me lembrar, nada para despertar minha curiosidade, nem o que ver ou pensar. É um silêncio escuro sem início e fim. 

E neste estado necrosado, de puro egoísmo iluminado e contraditório, ocorreu-me que, após minha morte, os vivos também morreriam... Todos morrerão, e um infinito nada se revelará para tudo. Estar morto é como não ter nascido. Ou seja, uma benção.

Quando acordei, percebi que ainda estava vivo e deveria cometer suicídio imediatamente. Mas depois me acalmei. Abri uma cerveja, e me lembrei que a pressa costuma ser inimiga da perfeição.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Seu Lixo Causa Stress?

Eu tenho o direito de jogar o lixo reciclável junto ao lixo não-reciclável? Creio que sim. Se eu declarei "not able for recycling", então eu quero que ele vá pro aterro sanitário, porra!

Alguém que ache que eu tenho o dever de separar o lixo tem o direito de futricar meus sacos de lixo? Se sim, então essa pessoa tem o dever de zelar pelo lixo não-reciclável e fazer os esforços necessários para que ele seja eliminado corretamente. As custas desse curioso, e não eu.

Agora, vem algum FDP ecologicamente correto, ferra com o meu lixo, põe o reciclável pra frente e larga uma zorra de lixo orgânico na lixeira, meio como liçãozinha: "olha o que acontece com idiotas que não separam o lixo comme il faut". Vai se fuder, cuzão do caralho!

Lixo é meu, rapá. Se mexeu nele, passa a ser seu! Porra, até isso eco-vagal dá dor de cabeça nos dias de hoje. Vou largar o meu lixo na sua porta, seu babaca de merda do século XXI! Espero que goste de miúdos de frango já em estado avançado de decomposição. que cuidadosamente introduzirei dentro das latas de cerveja, que cuidadosamente introduzirei dentro das garrafas de vodca, que cuidadosamente introduzirei dentro dos cadáveres de pequenos animais domésticos, que cuidadosamente introduzirei dentro dos cadáveres dos seus filhos ridículos (sem reciclagem, esses bostinhas nunca serão nada além de bostinhas).

P.S.: Não foram catadores de lixo os culpados. Minha rua da elite da classe média pobre não permite catadores (o que facilitaria a minha vida e a deles também). Foi a... bom... não precisarei mais caminhar tanto pra deixar o lixo na lixeira. 

Já Sabe Tudo Sobre Nada?

Tenho interesse por crimes não resolvidos. Eles permitem que se exercite aquela estranha combinação filosófica: o que sei que não sei, e o que não sei que não sei (ou sei).


Estas “impressões de saber” estão na vida cotidiana. As tentativas de prever o futuro (vai chover, time X ganhará, candidato Y será eleito), de investir em mercados financeiros, de apreciar arte e até mesmo preparando uma simples receita de culinária. Por mais informações que tenhamos, elas não são suficientes, e talvez atrapalhem, na hora de especular a provável resposta correta.

Acabo de ler “Zodíaco”, de Robert Graysmith. O livro relata, minuciosamente, a obsessiva investigação ao famoso serial killer que causou pânico no EUA. Até hoje não sabemos quem foi o Zodíaco, apesar da quantidade monstruosa de informações produzida pelas investigações e dos esforços de dezenas de investigadores. 

Então, volto um pouco e repito: mais informação pode implodir seu conhecimento? O que você sabe talvez não tenha qualquer valor. No livro, há uma boa declaração de um dos investigadores: “Há tanta coisa aqui, que deveríamos ser capazes de solucionar esse caso. Ou isso ou ele simplesmente está nos fazendo andar em círculos.”

Talvez, no futuro, apareça acidentalmente a identidade do Zodíaco. Como quando parentes resolvem organizar a papelada do vovô, descobrindo que ele era nazista (caso em que as informações existem, mas só foram descobertas por acaso, tornando inúteis todas as informações e investigações anteriores). 

Ou nunca saberemos quem foi o Zodíaco, pois ele foi cuidadoso, ou teve sorte, para destruir toda a informação que levaria a conclusão do mistério. Caso dos "crimes perfeitos", que existem sim... e são tão perfeitos que ninguém ficou sabendo (não há qualquer informação).

PS.: a carne é fraca. O Zodíaco cometia erros ortográficos muito claros e bobos. Há aí alguma “mensagem dentro da mensagem”? Ou ele era disléxico? E disléxicos gostam de criptografia?

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ainda Não Conhece Paris?

O turista é um absurdo. Ele gasta enormes quantias de dinheiro para “conhecer”  lugares. Tira milhares de fotos que depois não recordará do que se trata. Se expõe a toda a sorte de riscos durante a viagem. E retorna para casa, exausto, com a aura de conhecedor de outros locais, de viajado, de alguém com bagagem cultural...


Minha teoria é que o turista é uma adaptação moderna (e sem lógica). Antigamente, ninguém viajava só por viajar. O sujeito não tinha a disposição agências de turismo, aviões, cartão de crédito ou hóteis. Uma viagem era uma aventura, e com alguma motivação clara e imprescindível: conquistar terras, guerrear, estudar, explorar, fugir, negociar, etc. 

Assim, não cabia ao cidadão comum, ao mediano, a possibilidade de “conhecer” outros países ou culturas. Esse cidadão ficava em casa, cuidando da própria vidinha. Só os raros viajantes traziam relatos dos locais encontrados. E isso tornou-se o “verniz” valorizado no homem viajado. Viagens colocavam o cidadão acima da média. Colocavam! Agora não mais.

Hoje qualquer zé-ruela viaja. Este turista ignora o que encontrará, e mesmo depois do passeio, ele continua ignorando onde foi. Ele apenas tira fotos para provar que foi até o local, traz bugigangas e considera onde serão as próximas férias. E, ainda por cima, adquire o status de conhecedor de lugares distantes. De alguém que sabe aproveitar a vida (com ajuda governamental, o PIB agradece).

Portanto, diga-me onde foi e para quê, e direi quem você é

sábado, 13 de outubro de 2012

O Chato Crepuscular

Lá estava eu num lugar onde se dizia que o pôr-do–sol era fantástico. Shame on you!, claro que é piegas toda vez que o sol desaparece no horizonte. Ele (o sol) faz isso há milênios, e só o homem tornou-se capaz de sentir comichões por esse prosaico evento. Mas o que seria do homem se ele não se permitir certas fraquezas?


Enfim, lá estava eu, onde o sol desaparece no horizonte, numa ilha paradisíaca. Assim como eu, havia outros 200 humanos, mais ou menos... Nenhum deles visivelmente envergonhado, mas sim alguns com violões, ao longe (ou mais perto do pôr-do-sol). Fariam música para quando o astro borbulhasse nas águas do Atlântico. Que poético.

Até aí, tudo bem. Tem idiota pra tudo. C´est la vie... Mas um deles se levanta e caminha em minha direção. Será que ele se tocou do ridículo que está fazendo?, penso eu. Será que ele vai buscar cordas pra afinar melhor o violão, ou se enforcar? Por que essa súbita fuga de seu grupo de babacas crepusculares? Epa, ele vai falar comigo, não, por favor, não me force a ser mal educado de novo...

- Será que você pode se juntar a nós? Sua presença é muito importante. Será um evento lindo!

Caralho da porra. Eis o chato. Ele não se contenta em chapinhar feliz na insignificância humana, ele quer que sua insignificância signifique alguma coisa para outras pessoas. E fará isso cantando para o Sol (que, por ventura, se encontra perto de desaparecer apenas no NOSSO horizonte) com testemunhas confiáveis. Amigas. Reconhecíveis caso um serial-killer esteja entre os presentes (que droga, onde estão os assassinos seriais quando precisamos deles?!).

Não sei qual foi a música. Mas tenho certeza que o momento foi imortalizado em vídeo, e agora já está no Youtube. Quer que te mande o link? Será muito importante para mim que você adicione este vídeo em sua lista de preferidos.