Que porra é essa?!?
Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:
"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."
Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.
Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Guarujá parte 2 - As pessoas e o dinheiro
Correto estava o primeiro proprietário. Comprou o apartamento e morreu. Z e as três Marias praticamente ganharam este "grande patrimônio". Talvez por isso seja tão difícil para elas se desfazerem do imóvel. Foi presente. E coisas ganhadas não podem ser vendidas ou dadas para outras pessoas. Como uma maldição no estilo filme de terror B, elas carregarão o apartamento até a tumba.
Há o delírio burguês também. A família sempre nutriu idéias tolas de que faz parte de uma suposta elite financeira e intelectual de São Paulo. Aquele bom e velho orgulho da classe média-média. Clichê manjadíssimo, mas mesmo assim, eficiente. E se a pessoa quer ser desta elite, lógico que precisa ter uma apartamento no Guarujá. A estupidez fica patente: não há dinheiro nem inteligência, e se mantém um apartamento grotesco na praia.
Uma maneira simples de se identificar pobres é observando o quanto eles gastam em itens que simbolizam: "eu não sou pobre". Assim, frequenta-se o transporte público urbano e aparecerão cretinos com celulares de último tipo, correntes de ouro e roupas que custam metade da renda mensal daquela anta. Se ela tivesse dinheiro mesmo, não andaria de ônibus. Na cabeça dela, a demonstração destas coisas dão o conforto de não parecer um miserável completo. Para quem está fora, é óbvio que é um pobre nada inteligente.
Um apartamento de frente para o mar também pode ser incluído nesta simbologia "eu não sou pobre"? Depende. Qual é a renda do proprietário? Se aquele apartamento representa uma nesga, uma gotinha perto do mar de dinheiro que ele tem... então tudo bem! O cara pode ter esse apartamento e até se esquecer que tem esse apartamento. O cara é da elite mesmo. Mas e quando as proprietárias são Z e as três Marias (wanna be elite)? O custo do plano de saúde de Z é rachado entre as três Marias. Fica claro que a proprietária não tem renda mas quer manter, arbitrariamente, um símbolo de status social.
Z vive de sua aposentadoria. Mal dá pra subsistência. As três Marias tiveram sucesso em suas vidas profissionais. Mas sobra pouco. Nenhuma delas teria condições financeiras para manter, solitariamente, um apartamento de frente para o mar. Mas Z e as três Marias, mais o dinheirinho pingado dos aluguéis, mantém o "patrimônio". Um imóvel de veraneio trazendo estagnação e destruição de valor para toda uma família. É realmente uma delícia de apartamento.
Lembra do ditado que "duas cabeças pensam melhor que uma"? Está errado. Este apartamento é a prova de que quatro cabeças não chegam nem perto de um pensamento. Quando se vê Z e as três Marias discutindo o que será feito no (ou do) Guarujá, fica fácil ser misógino. Algumas características negativas da mulher tornaram-se diretrizes: profunda ignorância financeira, apego a um passado sem sentido, farsas sobre os laços de família e sacrifícios financeiros para que se mantenha aquele grande sinal de "eu não sou pobre!". O grande monumento à burrice familiar.
Separadas e sozinhas, elas consiguem definir, de maneira talvez aproximada, o significado destas palavras: inflação, juros, depreciação, investimento, passivos e ativos. Mas se você juntá-las, não haverá mais definição alguma. A coisa se torna puramente sentimental. E se eu falar sobre vender o Guarujá, as reações serão histéricas. Dramáticas. "Seu arruinador de famílias! Seu ingrato! Egoísta!" Mas eu queria que vocês reconhecessem o termo técnico, frio e imparcial da "depreciação". Que há de mau em mim quando penso em juros? Eu nunca imaginei, antes desta situação, que a Economia pudesse gerar este tipo de dramalhão mexicano.
Assim, eu não vou perder tempo com estes conceitos financeiros não colocados na consciência ou em prática. Eu sei que não serão colocados em prática. Trata-se de uma octagenária e três sexagenárias. Vai se ensinar o quê sobre finanças domésticas a essa altura do campeonato? Então imagino o que vai acontecer com aquele apartamento:
a) Z falece (sabe-se lá quando) e magicamente as três Marias decidem vender o apartamento? Duvido. Enquanto isso, ele continua sorvendo dinheiro apenas pra continuar de pé.
b) Z falece (sabe-se lá quando) e o conflito entre as três Marias aumenta e o apartamento continua lá, demandando mais dinheiro? Este tópico abrange mais possibilidades:
- Cisma entre as três Marias com intervenção judicial na mais renitente anti-venda.
- Cisma entre as três Marias com um acordo mambembe de que a mais renitente anti-venda arcará com os custos do apartamento (o que implica a ruína completa do imóvel, tendo em vista que a mais renitente anti-venda também é a menos capitalizada das Marias).
- Uma Maria compra a parte das outras Marias. O que não ocorrerá pois elas não tem dinheiro e nunca terão, exceto ocorra algum providencial lance do destino.
- E falando em lances do destino: quanto custa um terrorista islâmico e por que tsunamis não varrem a cidade de Guarujá do mapa? Tais fenômenos eliminariam a propriedade. Não se teria o dinheiro da venda, mas também não se arcaria com a manutenção nunca nunca nunca mais. A situação do Guarujá é tão absurda, que esta possibilidade acaba sendo a mais sensata e exequível das hipóteses.
c) Z é iluminada milagrosamente. Jesus aparece e manda ela vender o apartamento. Z vende, mesmo sabendo que enfrentará a fúria irracional da Maria caçulinha. A sangria de dinheiro é estancada. Ainda vai sobrar algum pra ajudar as vidinhas remediadas de Z e as três Marias (principalmente a mais furiosa).
Enfim, é isto. Paro de escrever senão minha tendência a pegar pesado passará dos limites. Ainda faço parte desta família. Mas declaro minha ojeriza ao apartamento do Guarujá. Não apoiarei qualquer iniciativa familiar para que se mantenha ou "invista" naquela loucura matriarcal exterminadora de dinheiro e só colocarei meus pés novamente naquele apartamento quando ele estiver vendido. Aproveito para convidar a todos para a festa que acontecerá neste dia, neste mesmo apartamento. Terá queima de fogos, mulatas e bateria de escola de samba. Tudo regado a Johnnie Walker Blue Green Platinum Sei lá, o mais caro dos Labels. E apesar de meu absoluto ateísmo, tornei-me devoto de Santo Expedito. A festa será homenageá-lo.
