Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Run, Forrest, Run!

Dentro duma cidade, você precisa ir do ponto A até distante ponto B. Você pode optar por dois meios de transporte, X e Y. 


O transporte X vai direto para o ponto B, sem interrupções, exceto as causadas por semáforos, pedestres, trânsito e lombadas.  

O transporte Y também vai para o ponto B, com os mesmos obstáculos que X. Mas, um detalhe desagradável: ele deve parar aleatoriamente em locais também aleatórios. Tais paradas são rápidas, mas atrapalham e dão a sensação que Y rasteja, enquanto X = Usain Bolt.


Se você quer chegar logo ao ponto B, qual transporte escolheria?


Já sei. Mas tenho más notícias. Y é tão veloz quanto X. A intuição te ferrou de novo. E a explicação está nos comportamentos de manada. As paradas aleatórias de Y livram-no da manada. Correndo para a frente tem-se a impressão que se vai mais rápido, mas é só impressão. Paradas aleatórias, por estranhas que sejam, economizam o tempo perdido quando se está no meio da multidão (e as multidões formam-se onde onde onde?).


Aguardem uns anos. Logo haverá manadas de motos. E logo os motoboys reclamarão que o trânsito está “ruim” até para eles...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Adocica, meu amor, adocica!

Enquanto a hora do almoço não chega, você tenta enganar a fome tomando um cafézinho com adoçante. Seu corpo, que até aquele momento queimava gordura pra manter níveis saudáveis de glicose no sangue, recebe um sinal. A máquina será alimentada.

Durante milhares de anos, sabor doce na boca significou que algo "doce de verdade" cairia no estômago. Por sua vez, algo "doce de verdade" no estômago vai pra corrente sanguínea. Que faz o metabolismo diante desses sinais? Corta a conversão de gordura em energia. Mas tudo não passou de alarme falso... maldito Zero Cal.

Com níveis desequilibrados de glicose, o seu corpo realmente precisa de algo doce, agora, já! A situação é urgente e um Sonho de Valsa salvará sua vida. A dieta de calorias controladas vai pro saco mais uma vez... Enfim, seja um gordo sincero e ponha a porra do açúcar até o café ficar crocante.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As Bestas do Apocalipse

Experiência: pegue um religioso bitolado, e apresente costumes e idéias de outras religiões. Ele achará interessante, exótico e absolutamente errado. Dirá que tem respeito por esses infiéis e pedirá o perdão de sua entidade pelo interesse demonstrado. 

Blindado por sua crença, ele não sofrerá das dúvidas típicas de alguém inteligente. Seguem as dúvidas: se eu acho estranho essas coisas, obviamente que as pessoas da religião contrária acharão os meus trejeitos igualmente sem sentido. E se meus hábitos são estranhos para eles, por que diabos eu invisto tanto tempo e energia colocando-os acima de quaisquer assuntos terrenos e aceitando-os como as verdades definitivas?


Certa vez, numa entrevista, o jornalista confundiu-se e Bertrand Russell ficou possesso: “eu não quis dizer que todas as pessoas religiosas são idiotas! O que eu quis dizer é que todas as pessoas idiotas são religiosas!”

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Opportunity Is For Everybody!

Rio dos Bagres é alvo (faz tempo) de especulação imobiliária. Prédios pipocam. Loteamentos aparecem e, num piscar de olhos, já estão mais caros. Corretores de imóveis sorriem estupidamente porque todo mundo está comprando seu quinhão de terra.

Surge então a figura do bagreano da gema. “Isso precisa parar! A legislação deve endurecer! A prefeitura não pode aprovar mais nada!” E o bagreano receberá aplausos. Todos apresentarão exemplos concretos do Mal que está acontecendo pela cidade  (apesar dos classificados causarem prazer geral). É justo o corretor de imóveis perder noites de sono caso o dura lex sed lex vire moda?

Não, pelo contrário. Cidades que adotam legislação mais restritiva causam uma disparada maior na valorização dos imóveis. Bolhas, neste setor, contam com uma enorme ajuda do Estado...Assim, bagreano, seu discurso pró Rio dos Bagres é o que a cidade menos precisa.

P.S.: Eu falaria sobre a nata política de Rio dos Bagres e sua relação umbilical com o mercado imobiliário, mas deixa pra lá... Todos já sabem.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cair na Rua ou Cair na Ciclovia?

Perdi, entre as várias mudanças da vida, uma matéria interessante sobre ciclismo. Motoristas desviam excessivamente de ciclistas tipo Tiozinho (trajes civis, condução despreocupada, bicicleta tosca, rumo indefinido, etc). Esses mesmos motoristas pouco alteram a trajetória e tiram finas de ciclistas tipo Lance Armstrong (capacetes reluzentes, bicicletas caríssimas, condução "profissional, fantasia de tour de france, etc). 

Tal paradoxo extrapola o ciclismo. Permeia quase tudo na vida diária... embora pouca gente note essa estranha condição. Assim, faz anos que digo isso. E faz anos que as pessoas riem de mim:

- Quanta idiotice, você não percebe que estamos mais seguros com equipamentos mais seguros? É óbvio!

- Não é óbvio, e aí mora o perigo. Por incrível que pareça, fatores de risco diminuem o risco. Mas foda-se... acho que raríssimas pessoas entendem esse paradoxo e conseguem enxergá-lo nas suas mais variadas formas.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Capeta Vai Te Pegar!

Por que filmes de exorcismo fazem sucesso? Melhor responder com mais perguntas.



Por que filmes de exorcismo sempre usam mocinhas ingênuas como vítimas? Por que velhos bêbados ou crianças choronas não são alvo de possessões? Por que a pessoa, após um filme de exorcista, sente enorme vontade de ir numa igreja e ajoelhar para o padre mais próximo? Por que a pessoa fica com medo do diabo se basta ter “Jesus no coração” para estar livre do perigo? Por que o caótico é sempre coisa do demo? Por que maniqueísmos sempre rendem boas bilheterias?

A resposta para essas perguntas seria: bom, porque funciona! Um único filme de exorcista catequisa mais que duzentos padres juntos. E ainda divertem a família. Simples questão de escala.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Espremendo a Depressão


A depressão é o novo lobo-mau da humanidade.  A pessoa fica até satisfeita em sofrer de uma doença tão fashion, tão moderninha. Por paradoxal que seja, um diagnóstico de depressão faz o depressivo se sentir... melhor. Ahhh.


xxx

Alguns evolucionistas dizem que só chegamos até aqui através de depressivos. Tá, os caras mucho-machos saiam pra caçar, coletar trecos  em ravinas íngremes enquanto o depressivo nunca foi além de um palmo. Um cagão. Ele não arriscou. Mas comeu várias... Se depressão é um traço evolutivo, então podemos tratar traços evolutivos assim impunemente?
 
xxx

Pergunte para qualquer um e obterá sempre a mesma resposta: a nossa vida moderninha é a causa da depressão... Hmmm, duvido. E discordo dessa estória de “epidemia de depressão”. Vejam as escolhas que as pessoas fazem, o estilo de vida que elas se esforçaram tanto pra atingir e as milhares de maneiras idiotas de obter prazer e recompensa. Eu não fico surpreso com o número de depressivos, mas sim com as milhões de pessoas que deveriam estar ferradamente deprimidas, e não estão. É um mistério!

sábado, 14 de janeiro de 2012

A saga ateísta continua


Até as religiões evoluem. Acho que tal pensamento dispensa comentários, explicações ou catequeses...

A Rai Soçaite de Rio dos Bagres

Trabalhar com pessoas da elite é foda:

- Eu pedi blanchet de peru mas o açogueiro falou que lá não tinha essas coisas ahahaha...
- O que é blanchet de peru?
- É um corte que tem menas gordura...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Weiße Schokolade Uber Alles

Ninguém (pelo menos inteligente) gosta de chocolate branco. Sem graça e enjoativo, as receitas ficam ruins quando se usa chocolate branco. Então quem inventou essa joça? Tenho uma teoria...  

Todo mundo adora chocolate. Ele tem personalidade, ele tem sabor, ele tem passado de glória e futuro garantido... e é negão. Como as confeitarias alemãs anteriores a 2ª Guerra poderiam oferecer uma iguaria tão saborosa e igualmente tão pouco ariana? O chocolate branco foi a solução nazista para alvejar os bolos de aniversário em forma de suástica.


Portanto, se encontrar algum neo-nazista comendo afro-chocolate... bom... é... tire uma foto e me mande. Ou compre um Laka pro sujeito (ele merece sofrer).

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

In hoc signo vinces


O religioso não sente melindres quando lhe pedem que explique sua religião. Dúvidas, no caso, revelam falta de fé. E vocês já conhecem esta tecla de outras batidas: fé recebeu atestado de virtude. Arroubos de fé implicam arroubos de virtude.

O ateu não tem este trunfo. Além disso, perde-se tempo ao discutir religião com um crente (afinal, ele está mais do que certo e não vai desistir de sua crença num simples debate) e imaginar que o ateu receberá apupos de herói da razão. Ao contrário do plano divino, o racionalismo se faz sem profetas, mártires ou heróis. Racionalistas não viram estátuas.

Quando cruzam as armas num debate, o ateu dá a impressão de despreparo. Sua arma, a razão, só funciona no mundo físico. Religiosos têm todo um plano metafísico, onde entidades onipresentes e oniscientes inventam as regras e intercedem no mundo físico. Mas este “despreparo” não deveria impedir o ateu. Na verdade, deveria lhe dar mais gás na argumentação.

Fato: ateus evitam o confronto simplesmente porque eles também não sabem usar a razão, tal qual seus oponentes de cérebros lavados. Esses ateus desconfiam dos rumos do debate e temem a fraqueza da própria arma. Seu racionalismo é capenga, enferrujado e pouco utilizado no dia-a-dia. Assim, temos bobos em ambos os lados, e a sociedade impondo o “religião não se discute” dá automaticamente a vitória para os crentes.

Um exemplo. De um lado, há o vendedor de auto-peças que nunca atirou com uma pistola na vida. Seu oponente é um exímio e confiante espadachim com poderes mágicos. Estamos numa sociedade que, para evitar mortes, determina um vencedor antes da luta começar. Nada de sangue! A vitória fica com o cara da espada...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Criação sempre é subversão?

Durante a noite, tenho idéias muito boas. Acordo e fico matutando por horas, durante a madrugada, em muitas coisas absurdas e exóticas. Então digo pra mim mesmo: preciso  me lembrar, preciso usar meu período de trabalho e trabalhar essas idéias. Que puta ilusão...
 
No trabalho, não consigo fazer nada. Pareço uma abelha que cai na cerveja, e depois fica rastejando pela mesa, alcoolizada, encharcada e sem coordenação motora. Corro o risco de ser esmagado por alguma garrafa gigante controlada por um sádico deus da boemia (ou da bohemia, tanto faz).
 
Só acontece comigo? Não. É geral. O período de trabalho consegue embotar nossos sentidos, diluir a inteligência por completo e, ainda, tirar a criatividade de todo mundo. Olhe para o lado durante o trabalho. Veja essas milhares de pessoas no trânsito pela manhã. Pessoas ao celular não estão gravando mensagens pra um novo quadro, poema, livro, filme, nada... Nada nada nada. É pra ir até o local, quebrar pedras por oito horas, e voltar pra casa e pra televisão.
 
O sujeito precisa de vontade inquebrantável para criar, mesmo sob fogo dos cafézinhos e burocracias. O sujeito precisa pensar durante o ataque da rotina e dos telefonemas cretinos. O sujeito precisa, enfim, continuar criativo sob mil regras sociais inúteis, luzes fluorescentes e controles de ponto e relatórios no Excel. Não é pra qualquer um...

[P.S.: Acho que já sei. No trabalho fico num mau humor daqueles... É difícil criar algo quando se quer destruir algo]

domingo, 8 de janeiro de 2012

Escolas Atéias

Se existem escolas cristãs, por que ateus ainda não criaram escolas atéias?

Acho que o ponto nevralgico é este: como evitar a transformação da crianças em idiotas. Link cômico número 1, e link cômico number two. 

Quando as crianças começam a perguntar “por quê?”, os adultos agnósticos ficam aturdidos. Eles também não sabem, mas aprenderam a aceitar que o mundo é grande demais para ser compreendido e postura correta seria admirar sem questionar. Assim, fica mantido o verniz fosco-misterioso do universo. 

“Forças maiores”, “alguma coisa” ou “uma energia” são os termos usados por agnótiscos quando eles se referem ao metafísico. Quando as crianças nascem, como fazer para que elas respeitem certos valores e aprendam sobre “uma energia”?


Nos países desenvolvidos, existe a exótica opção de não usar o ensino oficial. Educa-se a criança em casa. Sou totalmente favorável. No Brasil, proíbe-se a prática. Então pais agnósticos matrículam seus filhos em escolas supostamente laicas, onde a criança chegará (se tiver sorte e um pingo de inteligência) no respeito boquiaberto ao “alguma coisa”.


Escolas francamente ateístas seriam a solução. Nada de deus, de forças maiores, de respeito boquiaberto ou de mistérios do universo. Se algo não pode ser explicado racionalmente (por enquanto) então este será o ponto a ser estudado mesmo.


Assim, chegamos em outro nó. Escolas atéias são inviáveis comercialmente? É possível um currículo escolar puramente ateu ou implicaria num ensino infinito (tendo em vista que nunca saberemos tudo)? Ou simplesmente “pega mal” botar a criançada pra “estudar de verdade” enquanto os filhos do vizinho aprendem numa escola que ensina “valores de verdade”?

sábado, 7 de janeiro de 2012

O Zen Ateísta Covarde

É o cara que vai à igreja católica, porque todos seus parentes vão à igreja católica.  É o cara que respeita jesus, porque todos respeitam jesus. É o cara que evita assuntos metafísicos num churrasco, porque todos os outros podem excluí-lo do churrasco caso ele fale algo teologicamente desagradável.

O silêncio também recebe status de virtude. Se o cara agir como um sensato,livre-pensador, mente aberta, ele receberá elogios. E após tais elogios, o cara dorme tranquilo. Agradou gregos, troianos e os deuses do Olímpo. Nenhum raio o fulmimará nos próximos dias.


Baita cagalhão, eu diria. Se os ateus se comportam assim, como os judeus na Espanha da Inquisição, eu prevejo um futuro holocausto de “diplomatas da religião”. Quando se aceita livremente as opiniões alheias, pode acreditar que logo essas opiniões se tornam diretrizes de estado. Ou seja, queimem os infiéis.


Mas por quê Zen-Ateísta? Oras... zen é o inominável, o inativo, o quietismo obserador. Talvez seja bastante ilustrativo permanecer imóvel e fazendo cara de paisagem enquanto não estamos na fogueira.

Se você é ateu e tem culhões, proteste para salvar milhares de zen-ateus sorridentes e apaziguadores. Eles dependem dos seus culhões, literalmente. Se serve de consolo: it´s better to burn out than to fade away.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ateus temem deus ou o quê?

Testemunhas de Jeová batem a sua porta trazendo marmeladas. Evangélicos pregam em praça pública. Católicos saem cantando e sapateando como Gene Kelly... E os ateus ficam em casa lendo e remoendo em racionalismo masturbatório.

Bando de covardes ou bando de solitários sem cartilha? É claro que sair pregando o ateísmo seria uma forma de crença: a crença de que ter nenhuma crença é a melhor crença. Mas me irrita ver um monte de ateus apreciando quietamente a religião dos outros.  

Ando irritado com o deus dos outros. E com o silêncio dos ateus. Eu não consigo mais aceitar arroubos religiosos ou o famoso “respeito ecumênico”. Invocarei a isonomia. Se eles podem sair falando abertamente de suas religiões, eu também posso contra-argumentar sem medo de passar por "inimigo de cristo", ou de ser taxado de rude ou ignorante.


Vou pesquisar quando a religião se torna invasiva (parte fácil, pois há excesso de registros), e quando ateus aceitam passivamente a pregação alheia (mais difícil, pois não temos registros). Fica inaugurada a série anti-deus e, ironicamente, crítica ao zen-ateísmo vigente.