No trabalho, não consigo fazer nada. Pareço uma abelha que cai na cerveja, e depois fica rastejando pela mesa, alcoolizada, encharcada e sem coordenação motora. Corro o risco de ser esmagado por alguma garrafa gigante controlada por um sádico deus da boemia (ou da bohemia, tanto faz).
Só acontece comigo? Não. É geral. O período de trabalho consegue embotar nossos sentidos, diluir a inteligência por completo e, ainda, tirar a criatividade de todo mundo. Olhe para o lado durante o trabalho. Veja essas milhares de pessoas no trânsito pela manhã. Pessoas ao celular não estão gravando mensagens pra um novo quadro, poema, livro, filme, nada... Nada nada nada. É pra ir até o local, quebrar pedras por oito horas, e voltar pra casa e pra televisão.
O sujeito precisa de vontade inquebrantável para criar, mesmo sob fogo dos cafézinhos e burocracias. O sujeito precisa pensar durante o ataque da rotina e dos telefonemas cretinos. O sujeito precisa, enfim, continuar criativo sob mil regras sociais inúteis, luzes fluorescentes e controles de ponto e relatórios no Excel. Não é pra qualquer um...