Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

e ao pó retornará...


Nesta última noite, tive um sonho estranho. Profético. Sonhei que estava morto.

A sensação de estar morto é uma das melhores que já tive. Na inabalável certeza da morte, nenhuma preocupação me assaltava. Nenhuma ansiedade, nenhum problema. Nada. Não havia o que me lembrar, nada para despertar minha curiosidade, nem o que ver ou pensar. É um silêncio escuro sem início e fim. 

E neste estado necrosado, de puro egoísmo iluminado e contraditório, ocorreu-me que, após minha morte, os vivos também morreriam... Todos morrerão, e um infinito nada se revelará para tudo. Estar morto é como não ter nascido. Ou seja, uma benção.

Quando acordei, percebi que ainda estava vivo e deveria cometer suicídio imediatamente. Mas depois me acalmei. Abri uma cerveja, e me lembrei que a pressa costuma ser inimiga da perfeição.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Seu Lixo Causa Stress?

Eu tenho o direito de jogar o lixo reciclável junto ao lixo não-reciclável? Creio que sim. Se eu declarei "not able for recycling", então eu quero que ele vá pro aterro sanitário, porra!

Alguém que ache que eu tenho o dever de separar o lixo tem o direito de futricar meus sacos de lixo? Se sim, então essa pessoa tem o dever de zelar pelo lixo não-reciclável e fazer os esforços necessários para que ele seja eliminado corretamente. As custas desse curioso, e não eu.

Agora, vem algum FDP ecologicamente correto, ferra com o meu lixo, põe o reciclável pra frente e larga uma zorra de lixo orgânico na lixeira, meio como liçãozinha: "olha o que acontece com idiotas que não separam o lixo comme il faut". Vai se fuder, cuzão do caralho!

Lixo é meu, rapá. Se mexeu nele, passa a ser seu! Porra, até isso eco-vagal dá dor de cabeça nos dias de hoje. Vou largar o meu lixo na sua porta, seu babaca de merda do século XXI! Espero que goste de miúdos de frango já em estado avançado de decomposição. que cuidadosamente introduzirei dentro das latas de cerveja, que cuidadosamente introduzirei dentro das garrafas de vodca, que cuidadosamente introduzirei dentro dos cadáveres de pequenos animais domésticos, que cuidadosamente introduzirei dentro dos cadáveres dos seus filhos ridículos (sem reciclagem, esses bostinhas nunca serão nada além de bostinhas).

P.S.: Não foram catadores de lixo os culpados. Minha rua da elite da classe média pobre não permite catadores (o que facilitaria a minha vida e a deles também). Foi a... bom... não precisarei mais caminhar tanto pra deixar o lixo na lixeira. 

Já Sabe Tudo Sobre Nada?

Tenho interesse por crimes não resolvidos. Eles permitem que se exercite aquela estranha combinação filosófica: o que sei que não sei, e o que não sei que não sei (ou sei).


Estas “impressões de saber” estão na vida cotidiana. As tentativas de prever o futuro (vai chover, time X ganhará, candidato Y será eleito), de investir em mercados financeiros, de apreciar arte e até mesmo preparando uma simples receita de culinária. Por mais informações que tenhamos, elas não são suficientes, e talvez atrapalhem, na hora de especular a provável resposta correta.

Acabo de ler “Zodíaco”, de Robert Graysmith. O livro relata, minuciosamente, a obsessiva investigação ao famoso serial killer que causou pânico no EUA. Até hoje não sabemos quem foi o Zodíaco, apesar da quantidade monstruosa de informações produzida pelas investigações e dos esforços de dezenas de investigadores. 

Então, volto um pouco e repito: mais informação pode implodir seu conhecimento? O que você sabe talvez não tenha qualquer valor. No livro, há uma boa declaração de um dos investigadores: “Há tanta coisa aqui, que deveríamos ser capazes de solucionar esse caso. Ou isso ou ele simplesmente está nos fazendo andar em círculos.”

Talvez, no futuro, apareça acidentalmente a identidade do Zodíaco. Como quando parentes resolvem organizar a papelada do vovô, descobrindo que ele era nazista (caso em que as informações existem, mas só foram descobertas por acaso, tornando inúteis todas as informações e investigações anteriores). 

Ou nunca saberemos quem foi o Zodíaco, pois ele foi cuidadoso, ou teve sorte, para destruir toda a informação que levaria a conclusão do mistério. Caso dos "crimes perfeitos", que existem sim... e são tão perfeitos que ninguém ficou sabendo (não há qualquer informação).

PS.: a carne é fraca. O Zodíaco cometia erros ortográficos muito claros e bobos. Há aí alguma “mensagem dentro da mensagem”? Ou ele era disléxico? E disléxicos gostam de criptografia?

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Ainda Não Conhece Paris?

O turista é um absurdo. Ele gasta enormes quantias de dinheiro para “conhecer”  lugares. Tira milhares de fotos que depois não recordará do que se trata. Se expõe a toda a sorte de riscos durante a viagem. E retorna para casa, exausto, com a aura de conhecedor de outros locais, de viajado, de alguém com bagagem cultural...


Minha teoria é que o turista é uma adaptação moderna (e sem lógica). Antigamente, ninguém viajava só por viajar. O sujeito não tinha a disposição agências de turismo, aviões, cartão de crédito ou hóteis. Uma viagem era uma aventura, e com alguma motivação clara e imprescindível: conquistar terras, guerrear, estudar, explorar, fugir, negociar, etc. 

Assim, não cabia ao cidadão comum, ao mediano, a possibilidade de “conhecer” outros países ou culturas. Esse cidadão ficava em casa, cuidando da própria vidinha. Só os raros viajantes traziam relatos dos locais encontrados. E isso tornou-se o “verniz” valorizado no homem viajado. Viagens colocavam o cidadão acima da média. Colocavam! Agora não mais.

Hoje qualquer zé-ruela viaja. Este turista ignora o que encontrará, e mesmo depois do passeio, ele continua ignorando onde foi. Ele apenas tira fotos para provar que foi até o local, traz bugigangas e considera onde serão as próximas férias. E, ainda por cima, adquire o status de conhecedor de lugares distantes. De alguém que sabe aproveitar a vida (com ajuda governamental, o PIB agradece).

Portanto, diga-me onde foi e para quê, e direi quem você é

sábado, 13 de outubro de 2012

O Chato Crepuscular

Lá estava eu num lugar onde se dizia que o pôr-do–sol era fantástico. Shame on you!, claro que é piegas toda vez que o sol desaparece no horizonte. Ele (o sol) faz isso há milênios, e só o homem tornou-se capaz de sentir comichões por esse prosaico evento. Mas o que seria do homem se ele não se permitir certas fraquezas?


Enfim, lá estava eu, onde o sol desaparece no horizonte, numa ilha paradisíaca. Assim como eu, havia outros 200 humanos, mais ou menos... Nenhum deles visivelmente envergonhado, mas sim alguns com violões, ao longe (ou mais perto do pôr-do-sol). Fariam música para quando o astro borbulhasse nas águas do Atlântico. Que poético.

Até aí, tudo bem. Tem idiota pra tudo. C´est la vie... Mas um deles se levanta e caminha em minha direção. Será que ele se tocou do ridículo que está fazendo?, penso eu. Será que ele vai buscar cordas pra afinar melhor o violão, ou se enforcar? Por que essa súbita fuga de seu grupo de babacas crepusculares? Epa, ele vai falar comigo, não, por favor, não me force a ser mal educado de novo...

- Será que você pode se juntar a nós? Sua presença é muito importante. Será um evento lindo!

Caralho da porra. Eis o chato. Ele não se contenta em chapinhar feliz na insignificância humana, ele quer que sua insignificância signifique alguma coisa para outras pessoas. E fará isso cantando para o Sol (que, por ventura, se encontra perto de desaparecer apenas no NOSSO horizonte) com testemunhas confiáveis. Amigas. Reconhecíveis caso um serial-killer esteja entre os presentes (que droga, onde estão os assassinos seriais quando precisamos deles?!).

Não sei qual foi a música. Mas tenho certeza que o momento foi imortalizado em vídeo, e agora já está no Youtube. Quer que te mande o link? Será muito importante para mim que você adicione este vídeo em sua lista de preferidos.