Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

La Fontaine Reloaded

Fica definido que a cigarra e a formiga são irmãs. Não me pergunte como (é uma fábula, porra). Uma delas pode ser adotada. Caso uma pereça, a outra será a herdeira.

Tenho certeza que diversos insetos da floresta chegam pra formiga e falam assim: "viu, se você morrer, a cigarra herdará todo o seu capital. Deixa de ser tonta. Aproveite a vida! Carpe diem et cetera e tal..."

Se a formiga morrer, por que ela se preocuparia com seu legado? Ela está morta! E mortos não se preocupam. Cabe lembrar que a fábula deixa bem claro que a formiga fica quentinha no inverno, vivendo de rendas. Só. Não se trata de um enredo hollywoodiano que precisa de causas definidas, consequências lineares e um Fim no final.

Além disso, a formiga seria extremamente mesquinha em gastar tudo só pra que a cigarra fique com zero. Mais a grande idiotice de achar que a pior coisa seria a morte. Não é. Morrer é bom. Coisas bem piores podem acontecer antes de qualquer morte. E já sabemos que a cigarra não tem crédito nem versatilidade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Piorando para melhorar?

Está parafusado à sabedoria popular. Aprendemos na escola que para conseguir alguma coisa boa, devemos antes passar por algo ruim. Coisas do tipo: O vale das trevas! O renascimento de fênix! A penitência antes da salvação! Tom Cruise! O sermão das montanha! Só se come mulher "de graça" sendo romântico!

Mas você pode piorar o seu conceito sobre o "piorando para melhorar" e, ironicamente, melhorar a sua visão de mundo. Vamos a alguns exemplos.

Saúde. Não há como melhorar o fígado tomando cachaça. O sistema imunológico não melhora se ficamos doentes mais vezes. Não há como melhorar os neurônios assistindo documentários. E é impossível perder peso comendo torresmo. Só se melhora melhorando mesmo. 

Finanças. Me diga um caso de alguém que ficou rico empobrecendo? Ah!, mas para ter dinheiro é preciso poupar, e poupar é terrível. Talvez seja terrível para você inteiro, exceto seu bolso. Ele só se benefícia de benefícios... não duvide.

Cultura. Nenhuma biblioteca aumenta com fogo (exceto se usado como ameaça de incêndio aos lares que não "doarem" todos os livros). Artistas que passam fome não são os grandes gênios do futuro (se isso fosse verdade, teríamos milhões de museus dos esfomeados do passado). Tom Cruise, que passou a vida inteira fazendo filmes de superação, vai continuar sua carreira fazendo filmes de superação (afinal, ele é insuperável neste papel... e em nenhum outro).

Há outros setores. Gestão pública, medicina, religião... onde melhoras melhoram e pioras pioram. Mas o texto ficaria longo demais. E eu não quero piorar meu ponto de vista melhorando o número de exemplos...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Estatísticos gostam de estatística, fazer o quê?


No facebook, eu prometi 500 dólares a alguém que dissesse: "que droga de vida! eu queria ser bancário, mas os meus pais me forçaram a ser artista e dirigir filmes em stop-motion"

Antes que surja essa frase, tenho minhas exigências absolutamente sensatas. Quero os dados bancários do requerente. Quero também um comprovante de renda em que o pedinte seja o recebedor de uma renda pífia e essencial a sua existência. Mais os links de suas obras no Youtube e Google. E uma declaração de que ela acha suas obras espúrias, ridículas, irrisórias e de que eu possa comprá-las pelo menor preço em um leilão (público ou privado), transação em qualquer espécie, doação, transferência de posse ou desapropriação.

É... vou me vingar do mundo pelo mundo ter me transformado num funcionário público... por 500 dólares, ahahahehehaua (isso é uma risada maquiavélica). 

domingo, 19 de agosto de 2012

How To Invest - The Easy Way

Cash is king. Empresa serve pra gerar caixa (dinheiro livre, o que farão com ele depois é outra estória). Veja o Fluxo de Caixa. Deve estar sempre aumentando. Se diminuir, cheque o Endividamento. Se ele quem aumenta, sell. Mas se o patrimônio aumenta, é melhor pôr a mão no queixo e pensar um pouquinho.

Dividend Yield. Deve crescer ano a ano. Se não cresce, verifique o patrimônio. Se ele também nao cresce, sell. Um indicador subjetivo meu é a capacidade em cumprir cronogramas. Empresas legais batem ponto com os resultados (e os dividendos). Empresas ruins deixam os resultados para o último dia.

LPA. Lucro por ação. Mais simples impossível. Deve crescer, mas não seja otário. Verifique o patrimônio de novo. Podem estar queimando patrimônio para gerar caixa, dividendos e LPA. Ah, esses espertinhos!

Smart Money. Verifique fóruns onde idiotas gostam de se passar por gênios. Quanto mais impopular uma empresa, melhor. E quanto mais popular, venda a descoberto.

Inflação. Nunca jamais em hipótese alguma se esqueça dela. Se a empresa lucrou 5% a mais nos últimos 12 meses, e a inflação acumulada foi de 6%... Útil analisar como a empresa consegue repor os custos. Uma empresa boa tem o seguinte discurso: "os custos subiram, e nós subimos os nossos preços, então senta na boneca e cala a boca".

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Primo Piatto

Se alguém me perguntar de supetão qual minha primeira memória gastronômica, eu tenho a resposta fácil-fácil. Sem evocações proustianas. Fettuccine al brodo. Gravei o modo como recebia o prato e devia me virar com colher e garfo ante o vapor, a pasta que nunca vinha a minha boca, as gotas de azeite dançando a superfície. É o prato ideal para ensinar as crianças a respeitar a refeição.

Não sei explicar exatamente o porquê, mas eu sempre recebia esse prato quando meu avô batia ponto em seu restaurante italiano predileto. Era obrigatório. Primeiro o brodo, onde eu recebia entediantes lições de como enrolar a pasta, sorver o caldo e não reclamar do janeiro fumegante. Disciplina talvez, educação com certeza. O engraçado é que nao me recordo de meus primos passando pela mesma prova. Mas isso é outra história.

Antes que eu terminasse a "sopa", meu avô bebia tintos e pedia mais sardella (só existe sardella no Brasil, que ironia). Quando havia um indício claro que eu acabaria a minha lição, ele pedia um brodo para si próprio, e liquidava o prato em segundos. Com enorme facilidade e fome. Era humilhante para mim. Acho que pouca gente entende o "mangiare" italiano como eu entendo. É comer, pura e simplesmente. De maneira bruta mas com algum refinamento nos utensílios. Comer muito sem passar por mendigo. Mangiare! (Os italianos chegaram como europeus esfomeados para substituir escravos negros. E até hoje eles recebem um verniz de cultura embora sejam proletários até o osso).

Então, após esse ritual de iniciação, me liberavam pra pedir o que quisesse. Lasanha, nhoque, sobremesa ou mesmo o pesto. Se fosse pela última opção, o dono do restaurante me elogiaria. Eu devia ser a única criança a pedir o pesto... Nunca entendi a admiração, afinal, é o melhor molho do mundo. Até pedra ao pesto fica bom (desde que o pesto esteja corretamente preparado).

Em tempo: o brodo é um caldo. Bem mais líquido que as sopas brazucas. Como todo caldo, pode ser feito de milhares de coisas. No Brasil, ficou famoso por ser de frango semi-grelhado e depois cozido em água, louro, azeite, sal, aipo, alho, cebola e tomilho. Brodo di pollo. Coa-se o caldo (cuja sobra será obviamente devorada pelos mais sábios) e nele se acrescenta alguma massa. 

O fettuccine é uma tortura para as crianças, onde só adultos destros se saem bem alimentados e sem encharcar a gravata. Cappelletti é minha sugestão de sustância e sabor. Mais "pescável". Sem lambança. Sem lembrança. Deve haver algum parmigiano reggiano ralado por cima, independente da massa. Ou do preço.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Lutando contra o câncer e outras groselhas

A imensa maioria das pessoas morrem com câncer, mas não "de câncer". Boa parte dos recém nascidos já tem câncer (o que torna a idéia do câncer infantil bem menos sentimentalóide). Aliás, chamar todo câncer de "câncer" é um baita preconceito. São inúmeras doenças que recebem essa alcunha sem que algumas delas sejam realmente cânceres.

Mas, por outro lado, temos a leucemia linfoblástica aguda (LLA). É como o Dirty Harry apontando um Magnum 44 pra sua cabeça. Imaginem quantas pessoas morreram disso de maneira tão rápida que nem a autopsia foi capaz de identificar a bala. Desconfie portanto das porcentagens e das estatísticas.

A tal luta contra o câncer é uma outra boa história para contar aos netos. Existe o mito da "vontade de viver" ou "força contra as adversidades". Baita erro de amostragem. Claro que os sobreviventes vão dizer que sem aquele "élan locomotif" eles não teriam resistido tanto a doença quanto ao tratamento. A vontade de viver que te vive! Pfff... Os mortos nunca escrevem estórias de superação.

O ponto principal, e o mais visceral é que é absurdamente incompreensível que a própria vida conspire para nos matar. Câncer, no fim, é uma grande manifestação vital... câncer é saúde. Mas não fale isso pra ninguém. Vão te dizer que você já está completamente doente por afirmar esses descalabros. Provavelmente você tem algum tumor no cérebro e não tem vontade de viver.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

When there is no more room in hell...

Não precisa perguntar o que um pastor / padre acha da realidade. Óbvio: estamos na pior das épocas. Nunca houve tanta degradação e baixeza. E são comuns expressões do tipo "a que ponto chegamos?", "é o fim do mundo", "só Jesus...", etc.

Também é óbvio o porquê disto. Não obterá atenção alguém que diga aos ignorantes que o mundo, apesar de tudo, está melhorando aos poucos. Fora que isso não provoca fé. Quem vai acreditar "mais" se as coisas estão indo bem? Religiosos dependem do velho esquema quanto-pior-melhor.

Agora, se o fim do mundo estiver ali na esquina, se todos os costumes da humanidade evocam podridão e não há ponto de apoio ALÉM da religião, então é melhor rezar mesmo. Vai que o mundo acaba e você foi pego em blasfêmias e falta de dízimo.. 

Logo, o padre / pastor otimista também é um impostor ao quadrado. Denuncie o pregador otimista na igreja mais próxima. Afinal, ele vai contra a religião.

Bônus ...the dead will walk the earth (clássico!)

domingo, 5 de agosto de 2012

An artist is never poor

Se eu pudesse escolher qualquer profissão em qualquer condição... eu seria crítico do Guia Michelin. A vida perfeita. Comendo, bebendo, controlando as estrelas dos restaurantes... Por que fazem filmes sobre agentes secretos mas não sobre críticos de restaurantes?

Lutadores de sumô são uma classe injustiçada. Compreendo o sofrimento daqueles que tentam engordar nessa vida miserável. Meu objetivo é morrer com 200 quilos. Mas ainda não atingi nem os 60. Dureza. Talvez seja hipertireoidismo.

Não tenho o menor interesse em ver televisão. Nem porcarias tipo Discovery Channel ou History. Mas eu adoro ver programas de culinária. Acho até que deveríamos colocar a gastronomia como arte. Ela é bem mais divertida que escultura. E a maldita arquitetura. Por exemplo: quanto tempo dura uma péssima escultura e uma péssima feijoada? A "perecibilidade" de ser considerada uma virtude.

Bônus: uma das melhores sequências de abertura do cinema (e onde aprendi a tirar semente de pimenta em menos de um segundo).