Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Primo Piatto

Se alguém me perguntar de supetão qual minha primeira memória gastronômica, eu tenho a resposta fácil-fácil. Sem evocações proustianas. Fettuccine al brodo. Gravei o modo como recebia o prato e devia me virar com colher e garfo ante o vapor, a pasta que nunca vinha a minha boca, as gotas de azeite dançando a superfície. É o prato ideal para ensinar as crianças a respeitar a refeição.

Não sei explicar exatamente o porquê, mas eu sempre recebia esse prato quando meu avô batia ponto em seu restaurante italiano predileto. Era obrigatório. Primeiro o brodo, onde eu recebia entediantes lições de como enrolar a pasta, sorver o caldo e não reclamar do janeiro fumegante. Disciplina talvez, educação com certeza. O engraçado é que nao me recordo de meus primos passando pela mesma prova. Mas isso é outra história.

Antes que eu terminasse a "sopa", meu avô bebia tintos e pedia mais sardella (só existe sardella no Brasil, que ironia). Quando havia um indício claro que eu acabaria a minha lição, ele pedia um brodo para si próprio, e liquidava o prato em segundos. Com enorme facilidade e fome. Era humilhante para mim. Acho que pouca gente entende o "mangiare" italiano como eu entendo. É comer, pura e simplesmente. De maneira bruta mas com algum refinamento nos utensílios. Comer muito sem passar por mendigo. Mangiare! (Os italianos chegaram como europeus esfomeados para substituir escravos negros. E até hoje eles recebem um verniz de cultura embora sejam proletários até o osso).

Então, após esse ritual de iniciação, me liberavam pra pedir o que quisesse. Lasanha, nhoque, sobremesa ou mesmo o pesto. Se fosse pela última opção, o dono do restaurante me elogiaria. Eu devia ser a única criança a pedir o pesto... Nunca entendi a admiração, afinal, é o melhor molho do mundo. Até pedra ao pesto fica bom (desde que o pesto esteja corretamente preparado).

Em tempo: o brodo é um caldo. Bem mais líquido que as sopas brazucas. Como todo caldo, pode ser feito de milhares de coisas. No Brasil, ficou famoso por ser de frango semi-grelhado e depois cozido em água, louro, azeite, sal, aipo, alho, cebola e tomilho. Brodo di pollo. Coa-se o caldo (cuja sobra será obviamente devorada pelos mais sábios) e nele se acrescenta alguma massa. 

O fettuccine é uma tortura para as crianças, onde só adultos destros se saem bem alimentados e sem encharcar a gravata. Cappelletti é minha sugestão de sustância e sabor. Mais "pescável". Sem lambança. Sem lembrança. Deve haver algum parmigiano reggiano ralado por cima, independente da massa. Ou do preço.