Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

domingo, 27 de março de 2011



Memória cara e inarrancável de quando ele começou no Expressinho. Ainda tinha cabelo, e não sabia bater falta... Dentinho, teu futuro rima com seu nome.

Cremer – Tragicomédia em 3 atos.

Ato 1 – Praia, na Dinamarca.
[Entra o Príncipe Cremer, segurando um crânio nas mãos]

Que friaca! Para piorar, alta cavalar nas matérias-primas, excesso de capacidade produtiva de meus concorrentes. Até aí, "tudo bem". Cenário macro é assim mesmo, pra macho... Não resta espaço para dúvidas bestas do tipo: ”to suffer the slings and arrows of outrageous fortune, or to take arms against a sea of troubles, and by opposing end them?” Passo por maus bocados. E tem gente grande na parada, jogando pesado.
Acionistas, não entrem em pânico ainda! As margens estão mantidas! Lucrou-se, pouco, mas lucrou-se. C´est la vie... Tocarei o barco, matarei Rosencrantz e Guildenstern e vou tentar não morrer ao final. O negócio é ficar sossegado. Manterei o hedge e partirei pra cima da concorrência. Ou será que não? [Sai cabisbaixo, contemplando o crânio]

Ato 2 – Cenário roubado de Esperando por Godot, de Samuel Beckett

[Entra Cremer, sentando-se no banco de praça a espera de Godot]

Queda em procedimentos cirúrgicos, e a média histórica é 10% de crescimento ao ano. O povo está mais saudável? Não! Também houve queda nos repasses para a saúde, por conta das eleições. Ou seja, o povo está indo menos ao médico, ao dentista, ao hospital... Procurar razões que expliquem isto é tolo. Parei de acreditar na médias históricas. A partir de hoje, olharei apenas para o futuro. Se Godot não vier hoje, amanhã eu volto. Estaria ele no hospital? Será que quebrou algum braço? Pra mim seria boas novas, embora ainda teria de esperá-lo por mais tempo...
Terei preju se o povo ficar mais saúdavel? Justamente o contrário! Ei, veja! Não é Godot, mas já é um sinal dele!
[Entra um cisne negro, passa a frente de Cremer e sai]
Não houve epidemia de dengue. Não houve aumento nos gastos com saúde. Não seria melhor chamar de gastos com doença? O povo fechou 2010 feliz, bebendo mais, gastando com inutilidades. Quem precisa de luvas de procedimento? Godot, essa hora, deve estar bêbado em algum canto, assistindo Especial Roberto Carlos na nova TV de LCD. Tudo está ótimo. Por isso estou tão mal. Ai Ai! Tô meio zonzo. Acho que vou me deitar neste banco. [apagam-se as luzes]

Ato 3 – Num mercado em Veneza

[Entram Shylock e Antonio Cremer]

Shylock - Nos resultados, notei que precisarás de dinheiro novo para manter a política do "100% de payout enquanto dívida líquida 1,5x do Ebitda". Não houve expressivo aumento na receita. Mas pesa o "i" do Ebitda. Juros, meu amigo... Sou bom nestas contas, e proponho: dou-te cash limpo pra turbinar a receita, em troca você penhora meio quilo de tua própria carne. Veja que não cobrarei juros. Topas?
Antonio – Não! Prometo aumentar a receita sozinho, daí a conta não estoura. Investi em aquisições.
Shylock – Timidamente...
Antonio – Sou novato. Nem tenho ainda um bom escritório de M&A.
Shylock – Talvez alguém te compre... tipo... eu.
Antonio – Não tocará em minha carne! Meus contratinhos de exclusividade vão aumentar a receita. Botei grana no operacional, portanto, é certo o aumento da receita. Sim, tens razão. Minha política de payout é frágil. Mas não vou trocá-la por um teco de mim mesmo. És ardiloso, sei que se vingarás não aceitando meus pagamentos em dinheiro, e exigindo pedaços de minha pessoa em tribunal.

Shylock – És jovem, e irresponsável. Assim que atingires a meta, pagarás o quê de lucro, se não haverá lucro? Fala como um recém formado com salário de 5.000 reais, morando ainda na casa da mamãe. Agora consegue comprar uma BMW e gastar o resto em cerveja e investimentozinhos. Logo mudará pra casa financiada, casará com uma veneziana qualquer, e toda sua receita estará comprometida em interest, taxes, depreciation and amortization... Aceite minha proposta. Não cobrarei juros, tu manténs a essa política-engana-trouxa, mas se não me pagares in cash, pagarás in flesh! Voltarei pra contemplar teus feitos, e da próxima vez exigirei aumento de capital.
[fim]
Epílogo
Na velha escala do "buy-sell-hold", coloco as ações da Cremer em Hold. Uma small cap anticíclica com potencial de crescimento. Mas, diante aos números atuais, não recomendo nem a compra para novos acionistas. Nem a venda, para quem já comprou. Quanto a política de payout... bem... ela merece uma análise mais precisa num próximo momento.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Wrestlers, fighters, fuckin translators

Têm coisas que eu não entendo.

É chic morar num prédio chamado Royale Parnasse ou Mercury Tower, procurar Sale em shopping (o nome é Mall lá na Estrela da Morte). Passear na Gap, Victoria Secret, comer Double Whopper, pegar o busão, reclamar do overbooking...

Até que você resolve ir ao cinema. Um amigo cinéfilo e chato te disse pra assistir ao O Lutador, mas o filme em cartaz é O Vencedor. Forçando os olhos no cartaz, lê-se o título original: The Fighter. Oras, "lutador" pensas corretamente, e compras o "ticket" (ingresso é pra jogo de futebol, cinema é ticket).

Nota-se uma pequena confusão entre sinônimos ingleses, títulos de filmes, e tempo perdido processando o nome original e o nome da tradução.

Tá, Wrestler nao tem equivalente em português. E chegou primeiro, levando "Lutador" pra si. Fighter chegou depois e não ficaria bem em "Brigador" ou semelhantes (batedor, esmurrador, pugilista, rinhento, etc).

Mas mas mas... por que diabos usamos palavras gringas por todo lado, mas na hora de ir ao cinema, defendemos quixotescamente a Última Flor do Lácio? Por que lá dentro é escuro e sua vizinha te viu entrando num filme suspeito chamado... hmmm... como é mesmo... Double Whopper 2?

Taí a resposta: a sua vizinha que cansou de assistir Coração Insensato e quer ver O Vencedor, e não essas coisas de The Fighter. (Fato: depois de 2 dias ela não vai se lembrar do nome do filme, mesmo traduzido).

terça-feira, 22 de março de 2011

Futebol Esporte Corporation

Ser cartola, eis o sonho de todo empresário. Se o sujeito pudesse, magicamente, trocar sua empresa por um clube de futebol, muitos fariam o escambo, sem pestanejar. Antes, um exemplo contrário:

No início dos anos 90, chegaram os pagers. Você telefonava pra uma central, deixava um recado, o número do pager e pronto. O dono do pager pegaria o recado onde quer que ele estivesse (nem tanto). Um negócio promissor, até os celulares trambolhos chegarem e você ser capaz de dar o recado direto pra pessoa, onde quer que ela estivesse (nem tanto). Essa mudança ocorreu um poucos meses, numa velocidade espantosa. Se não vemos pagers como sucata, foi porque muitas pessoas nem tiveram tempo de comprá-los. Um empresário necessita de tempo para maturar investimentos. No caso dos pagers, foi dinheiro rasgado.

Chama-se obsolencência essa característica de ser útil agora, e inútil amanhã. Um martelo demora pra ficar obsoleto, mesmo em uso. Uma caixa de fósforos dura o número de palitos. Daqui algum tempo, talvez a gente ria lembrando a febre dos iphones: pessoas na fila, brincando de celular até adquirir TOC, esperando a próxima "geração"...

Mas qual é a obsolencência de um torcedor de futebol? Caso seja um time grande (eles precisam dar resultados, assim como empresas), a "paixão" pelo time é transmitida entre gerações. Não chegará um novo produto, mas talvez um novo concorrente, acirrando ainda mais a disputa. Talvez... A escala futebolística é maior que a escala humana. E há inúmeros casos do sujeito que se desilude com o time, até que, anos depois, numa final de campeonato, "renasce a paixão".

Por essa e outras nossos cartolas sejam tão ruins. Os dirigentes dos clubes simplesmente não precisam se preocupar com os clientes. Eles "nascem" sozinhos. Ou "renascem". Que empresário não gostaria de clientes assim: fanáticos e imortais por um produto que, se bem administrado, permanecerá per saecula saeculorum!

sábado, 19 de março de 2011

Socar o Fumo

Conforme prometido, carco a madeira nalgumas empresas:

CSN

Houve dias em que fui apaixonado por ela. Esses dias se foram.  Muitas Steinbruchadas  ("vamos comprar a Corus" e "vamos comprar a CimPor" e "vamos comprar a Usiminas"). Nenhum IPO da Casa de Pedra. É como aquele  pai que promete ao filho o maior Autorama, mas dá o menor Ferrorama. Diz que a casa da família vale milhões, mas não tem 20 reais pra dar de mesada. Como seriam hoje os resultados de CSN sem mineração, heim heim? Responda isso, Steinbruch!

Taurus

Some um ativo sem liquidez mais um fundo sem recursos pra cobrir saques. A conta fechará negativa, tanto para a empresa quanto para o fundo. Se a empresa fosse mais esperta no mercado financeiro, aumentaria o capital. Querem liquidez? Então toma! A ação está baratíssima mas a definição deste superlativo dependerá dos resultados futuros. No final, quase tudo dependem de resultados futuros, e não da Geração Futuro.

Eletropaulo

Para algumas empresas, levantar dívidas é tabu. Para outras, tabu está em reestruturar as dívidas. Se as Elpl´s pagassem a metade do DY, as dívidas tornam-se completamente amenas. A cotação, por supuesto, subiria... Ou há algo de podre na Dinamarca que só meu nariz não percebe?

sexta-feira, 11 de março de 2011

Davi versus Golias (Coruja versus Saint Gobain)

Eternit, ao divulgar os resultados de 2010, deixou algumas pistas sobre seu futuro.

a) Em 2011 "não investirá em crescimento orgânico". O que isso quer dizer exatamente é: chega de fibrocimento e amianto. Com capacidade instalada de 1 milhão de toneladas no setor e 30% de share, chega. Não, não estão fechando as fábricas. Só mudando as perspectivas para b).

b) "Estudamos crescimento via aquisições". Essa frase desnecessita explicação.

Como a mensagem b) exclui a mensagem a), concluo pela definição clara e inquestionável da empresa migrando para outros setores.

Até aqui o raciocínio é bastante óbvio. Mas vão comprar quem? Surpresa seria Eternit comprando uma fábrica de microchips. O que estou projetando segue uma lógica bastante coerente e diria até mitológica: Davi versus Golias. O pequeno notável versus o grande, gordo e pouco ágil monstro francês. 

Vejam o passo-a-passo do meu racional-coruja: Eternit não tem dívidas (i.e. pode se endividar). Eternit gera bastante caixa (i.e. pode crescer, e se endividar). Eternit tem um forte canal de vendas (i.e. põe seus produtos em qualquer canto do país, e vende). O mercado tem certeza que Eternit é só amianto. Eu tenho certeza de que Eternit será grande player em material de construção (e a mineração de amianto será apenas backbone para a expansão da empresa).

Talvez, quando o mercado perceber que Eternit tornou-se bem mais que amianto, seja tarde demais. Talvez, neste dia, a cotação de Eter3 já tenha triplicado em 2 anos, sem perder fundamentos. O mercado é ineficiente, tapado e demora a ver movimentos pequenos porém decisivos. O mercado, per se, também é um Golias... Eu já acredito no Davi, desde 2006 encarteirado com méritos.

Porra, 3 calls seguidos (Paranapanema, Metalfrio e Eternit)? Tá, no próximo texto eu carco a madeira em alguém...

Coloque um freezer na porta e impeça a entrada dos zumbis! Ou Barreiras de Entrada como Barreiras de Saída.

Metalfrio é um caso sui generis em bolsa. Ao contrário do que se imagina, ela não é apenas fabricante de refrigeradores/freezers para varejo.

Vou tentar explicar como a empresa procede:

Assim como a Ford ou a Volks, Metalfrio não "produz" nenhuma peça. Não tem fábrica, fundições, terrenos e sindicatos. Sua existência se resume a Linha de Montagem. Eles compram a matéria-prima de forncedores anônimos, montam a geladeira e a vendem pra Kibon, ou pra Ambev. Simples e fácil. Tão simples e tão fácil quanto rasgar uma folha de papel ao meio. Os apologistas das "Barreiras de Entrada" ficam estarrecidos. Por Júpiter, qualquer um pode chegar de outro planeta e concorrer com Metalfrio! Mas vamos questionar se uma barreira de entrada é uma vantagem competitiva ou uma tola ilusão psicológica de alguns analistas / investidores.

Pra você comprar peças e montar sua própria geladeira, há uma porção de fornecedores anônimos e dispersos. As sereias do empreendedorismo cantam e lá vai você nadar no oceano, disposto a ferrar com a Metalfrio. Barganha descontos, adianta entregas e atrasa pagamentos. Uma vez com o material pronto, resta colocar alguns peões armados com chaves de fenda, silicone e alicates. Eis a sua geladeira, você já pode concorrer com a Metalfrio! Barreiras de entrada my ass! Sou o CEO da AçoGélido e rumo ao IPO!

Então, gênio, agora você já consegue estragar os planos da Metalfrio. Após algumas negociações, você consegue um cliente lá em Quixeramobim, CE. Como é que suas geladeiras chegam lá? Depois de algumas contas, talvez o frete fique mais caro que as geladeiras... Barreiras de entrada my ass? Porra, você falou que era um gênio no IPO (sacanagem)...

Metalfrio faz assim: estabelecem uma Linha de Montagem e botam um gerente local pra cuidar da empresa. Gerenciar, só, nada de lances geniais. Lemmings entram por uma porta. Lemmings saem por outra porta. De preferência, estas portas precisam estar localizadas perto de seus clientes ou de um Centro de Distribuição. E há clientes por todo o vasto continente. Hoje, temos linhas de montagem no México, Rússia, Turquia, Brasil e talvez India (em negociação).

Mas eles fazem a bagaça, vendem, e o quê mais? Show me the money!

Calma, gênio... São poucos clientes, todos ligados a fauna e flora varejista: cervejarias, sorvetes, refrigerantes, alimentos industrializados, supermercados, quitandas, etc. Seus produtos são veículos de propaganda, o que força uma troca contínua em dois modelos de atuação: serviços / novos produtos. E o ponto principal vem agora: estas geladeiras/freezers tem uma vida útil bastante curta. Pergunte a qualquer dono de bar quanto tempo duram as geladeiras.

Barreiras de entrada, portanto, tornam-se barreiras de distribuição. Facilidade pra produzir não implica em facilidade pra gerar receita e lucrar. Para vencer a distribuição, a empresa precisa adquirir concorrentes. Somar escala. Esta disseminação de Linhas de Montagem e Centros de Distribuição turbinam o Fluxo de Caixa. Isso gera excesso de bufunfa. E cash, coleguinhas, só tem dois caminhos: crescimento ou dividendo. Na melhor das hipóteses, o Crescidendo (termo assaz comum para os acionistas da Eternit).

Em suma, procurar barreiras de entrada infantilmente e descartar a empresa ao primeiro sinal de "fragilidade" não é muito sábio. Dados pontuais: As cotações estão por volta de 10 a 11 reais. MarketCap por volta de 450 mi. Múltiplos descontados. Fluxo de Caixa redondíssimo. Daqui alguns anos releiam a cotação e aprendam a nobre arte da observação interessada de empresas.