Dois opostos me intrigam. E aos dois tenho resistências. Um deles é o movimento vegetariano. Creio que ele tem origem num movimento quietista culpado, de resignação covarde, ignorante da gastronomia, repleto de clichês politicamente e ecologicamente corretos, além das balelas pseudo-nutritivas-nutricionais promovidas por senhoritas esquálidas ou hippies anêmicos e subnutridos.
Outro movimento que desprezo é a junkie-food rápida, fácil, barata e industrializada. O povo semi-obeso que joga fora comida com presunto, que gosta de Mac-Donalds (ou outra franquia qualquer) por não saber fritar ovo. Gente que desconhece o trâmite que há entre uma sardinha nadando no oceano e as sardinhas em lata. Babacas que julgam sushi chique e nojento o bife tártaro. Além dos cretinos que desconhecem a origem da carne moída vendida nos hipermercados e acreditam que vegetais cozidos e enlatados fazem bem para a saúde.
Acho que a visão sensata e realista seria através de uma pedagogia mais radical e primitiva da origem dos alimentos. Onde nascem, como crescem e o que comem. O bom seria aprender a matar galinhas, porcos, peixes e bois com as próprias mãos. Na faca e no machado. Como se limpam as vísceras e drena-se o sangue. Os cortes e o que fazer com cada parte do animal. E como cozinhá-las de maneira simples e rústica. Sem frescura e sem maquiagem (onde a Bicho-Carne deixa de ser boi, peixe, porco e galinha pra virar bandeja numa gôndola ou foto fake em lanchonetes).
Eu passaria minhas próximas férias, e pagaria uma boa grana, só pra aprender onde fica exatamente a picanha. Como se faz bacon a partir do porquinho Baby. Além da galinha ao molho pardo e ceviche de pescado (de verdade). Este seria o verdadeiro conhecimento holístico que não permitiria a fragilidade emotiva vegetariana ou a hipocrisia salsichesca bruta e sem paladar. O homem de carne que come carne.


