Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Matei, limpei, assei e comi.



Dois opostos me intrigam. E aos dois tenho resistências. Um deles é o movimento vegetariano. Creio que ele tem origem num movimento quietista culpado, de resignação covarde, ignorante da gastronomia, repleto de clichês politicamente e ecologicamente corretos, além das balelas pseudo-nutritivas-nutricionais promovidas por senhoritas esquálidas ou hippies anêmicos e subnutridos.

Outro movimento que desprezo é a junkie-food rápida, fácil, barata e industrializada. O povo semi-obeso que joga fora comida com presunto, que gosta de Mac-Donalds (ou outra franquia qualquer) por não saber fritar ovo. Gente que desconhece o trâmite que há entre uma sardinha nadando no oceano e as sardinhas em lata. Babacas que julgam sushi chique e nojento o bife tártaro. Além dos cretinos que desconhecem a origem da carne moída vendida nos hipermercados e acreditam que vegetais cozidos e enlatados fazem bem para a saúde.

Acho que a visão sensata e realista seria através de uma pedagogia mais radical e primitiva da origem dos alimentos. Onde nascem, como crescem e o que comem. O bom seria aprender a matar galinhas, porcos, peixes e bois com as próprias mãos. Na faca e no machado. Como se limpam as vísceras e drena-se o sangue. Os cortes e o que fazer com cada parte do animal. E como cozinhá-las de maneira simples e rústica. Sem frescura e sem maquiagem (onde a Bicho-Carne deixa de ser boi, peixe, porco e galinha pra virar bandeja numa gôndola ou foto fake em lanchonetes).

Eu passaria minhas próximas férias, e pagaria uma boa grana, só pra aprender onde fica exatamente a picanha. Como se faz bacon a partir do porquinho Baby. Além da galinha ao molho pardo e ceviche de pescado (de verdade). Este seria o verdadeiro conhecimento holístico que não permitiria a fragilidade emotiva vegetariana ou a hipocrisia salsichesca bruta e sem paladar. O homem de carne que come carne.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Guarujá parte 2 - As pessoas e o dinheiro






Correto estava o primeiro proprietário. Comprou o apartamento e morreu. Z e as três Marias praticamente ganharam este "grande patrimônio". Talvez por isso seja tão difícil para elas se desfazerem do imóvel. Foi presente. E coisas ganhadas não podem ser vendidas ou dadas para outras pessoas. Como uma maldição no estilo filme de terror B, elas carregarão o apartamento até a tumba. 

Há o delírio burguês também. A família sempre nutriu idéias tolas de que faz parte de uma suposta elite financeira e intelectual de São Paulo. Aquele bom e velho orgulho da classe média-média. Clichê manjadíssimo, mas mesmo assim, eficiente. E se a pessoa quer ser desta elite, lógico que precisa ter uma apartamento no Guarujá. A estupidez fica patente: não há dinheiro nem inteligência, e se mantém um apartamento grotesco na praia.  

Uma maneira simples de se identificar pobres é observando o quanto eles gastam em itens que simbolizam: "eu não sou pobre". Assim, frequenta-se o transporte público urbano e aparecerão cretinos com celulares de último tipo, correntes de ouro e roupas que custam metade da renda mensal daquela anta. Se ela tivesse dinheiro mesmo, não andaria de ônibus. Na cabeça dela, a demonstração destas coisas dão o conforto de não parecer um miserável completo. Para quem está fora, é óbvio que é um pobre nada inteligente. 

Um apartamento de frente para o mar também pode ser incluído nesta simbologia "eu não sou pobre"? Depende. Qual é a renda do proprietário? Se aquele apartamento representa uma nesga, uma gotinha perto do mar de dinheiro que ele tem... então tudo bem! O cara pode ter esse apartamento e até se esquecer que tem esse apartamento. O cara é da elite mesmo. Mas e quando as proprietárias são Z e as três Marias (wanna be elite)? O custo do plano de saúde de Z é rachado entre as três Marias. Fica claro que a proprietária não tem renda mas quer manter, arbitrariamente, um símbolo de status social.  

Z vive de sua aposentadoria. Mal dá pra subsistência. As três Marias tiveram sucesso em suas vidas profissionais. Mas sobra pouco. Nenhuma delas teria condições financeiras para manter, solitariamente, um apartamento de frente para o mar. Mas Z e as três Marias, mais o dinheirinho pingado dos aluguéis, mantém o "patrimônio". Um imóvel de veraneio trazendo estagnação e destruição de valor para toda uma família. É realmente uma delícia de apartamento.

Lembra do ditado que "duas cabeças pensam melhor que uma"? Está errado. Este apartamento é a prova de que quatro cabeças não chegam nem perto de um pensamento. Quando se vê Z e as três Marias discutindo o que será feito no (ou do) Guarujá, fica fácil ser misógino. Algumas características negativas da mulher tornaram-se diretrizes: profunda ignorância financeira, apego a um passado sem sentido, farsas sobre os laços de família e sacrifícios financeiros para que se mantenha aquele grande sinal de "eu não sou pobre!". O grande monumento à burrice familiar.   

Separadas e sozinhas, elas consiguem definir, de maneira talvez aproximada, o significado destas palavras: inflação, juros, depreciação, investimento, passivos e ativos. Mas se você juntá-las, não haverá mais definição alguma. A coisa se torna puramente sentimental. E se eu falar sobre vender o Guarujá, as reações serão histéricas. Dramáticas. "Seu arruinador de famílias! Seu ingrato! Egoísta!" Mas eu queria que vocês reconhecessem o termo técnico, frio e imparcial da "depreciação". Que há de mau em mim quando penso em juros? Eu nunca imaginei, antes desta situação, que a Economia pudesse gerar este tipo de dramalhão mexicano.

Assim, eu não vou perder tempo com estes conceitos financeiros não colocados na consciência ou em prática. Eu sei que não serão colocados em prática. Trata-se de uma octagenária e três sexagenárias. Vai se ensinar o quê sobre finanças domésticas a essa altura do campeonato? Então imagino o que vai acontecer com aquele apartamento:

a) Z falece (sabe-se lá quando) e magicamente as três Marias decidem vender o apartamento? Duvido. Enquanto isso, ele continua sorvendo dinheiro apenas pra continuar de pé.

b) Z falece (sabe-se lá quando) e o conflito entre as três Marias aumenta e o apartamento continua lá, demandando mais dinheiro? Este tópico abrange mais possibilidades:

   - Cisma entre as três Marias com intervenção judicial na mais renitente anti-venda.

   - Cisma entre as três Marias com um acordo mambembe de que a mais renitente anti-venda arcará com os custos do apartamento (o que implica a ruína completa do imóvel, tendo em vista que a mais renitente anti-venda também é a menos capitalizada das Marias).

   - Uma Maria compra a parte das outras Marias. O que não ocorrerá pois elas não tem dinheiro e nunca terão, exceto ocorra algum providencial lance do destino. 

   - E falando em lances do destino: quanto custa um terrorista islâmico e por que tsunamis não varrem a cidade de Guarujá do mapa? Tais fenômenos eliminariam a propriedade. Não se teria o dinheiro da venda, mas também não se arcaria com a manutenção nunca nunca nunca mais. A situação do Guarujá é tão absurda, que esta possibilidade acaba sendo a mais sensata e exequível das hipóteses.

c) Z é iluminada milagrosamente. Jesus aparece e manda ela vender o apartamento. Z vende, mesmo sabendo que enfrentará a fúria irracional da Maria caçulinha. A sangria de dinheiro é estancada. Ainda vai sobrar algum pra ajudar as vidinhas remediadas de Z e as três Marias (principalmente a mais furiosa).

Enfim, é isto. Paro de escrever senão minha tendência a pegar pesado passará dos limites. Ainda faço parte desta família. Mas declaro minha ojeriza ao apartamento do Guarujá. Não apoiarei qualquer iniciativa familiar para que se mantenha ou "invista" naquela loucura matriarcal exterminadora de dinheiro e só colocarei meus pés novamente naquele apartamento quando ele estiver vendido. Aproveito para convidar a todos para a festa que acontecerá neste dia, neste mesmo apartamento. Terá queima de fogos, mulatas e bateria de escola de samba. Tudo regado a Johnnie Walker Blue Green Platinum Sei lá, o mais caro dos Labels. E apesar de meu absoluto ateísmo, tornei-me devoto de Santo Expedito. A festa será homenageá-lo. 

domingo, 18 de novembro de 2012

Guarujá - parte 1 - O Apê


Não adianta. Tudo que você põe lá apodrece, enferruja, pega cupim ou, no mínimo, mofo. Estupidifica-se. O azeite fica rançoso, a tinta que você acabou de por na parede já está gosmenta. É o fim sem princípio. A decadência materializada. Chega-se a testemunhar os fungos crescendo entre os dedos do seu próprio pé. 

As cortinas são grossas, como se fosse esperado um apocalipse.  Elas tem várias camadas de panos. Às vezes, não se consegue sair por entre elas. Fica-se preso, emanharado, asfixiado, e um pó ancestral cai em você. Dá agonia e certo nojo. Mas a saída facil não é objetivo destas cortinas. Foram projetadas para que se evite a entrada da maresia: o miasma que corrompe a matéria e destrói inteligências. 

Tenta-se evitar a falência material colocando lençóis em cima das coisas. E outros panos por cima dos lençóis. Só o sofá tem milhares de tecidos por cima. Porém, isso é só maquiagem psicológica. Pura negação. A maresia está no ar. Você pode respirar. Panos pra que não se veja a podridão que já está por tudo, agindo continuamente, a revelia dos esforços humanos. 

E tem gente que acha o ar marinho terapêutico. 

Espelhos novos ficam com pontos negros. Aquela madeira incorruptível tem cupins insistentes, incansáveis. Todo o dinheiro colocado como investimento se torna baço, inchado, cirrótico, desfacela-se com umidade e sal. De vez em quando o apartamento fica fechado por um bom tempo. E então, quando você entra, o sapato gruda no chão, tudo está pegajoso. E chega-se a cogitar em alguma doença neurológica em que o todo o universo parece gosmento. Mas não é doença não. O apartamento está todo gosmento de verdade. Daí as pessoas dizem que estão muito felizes por estarem ali, na praia. Por Jupiter!

Então você desiste, se joga numa poltrona pegajosa cheia de panos e decide entrar no humor local. Praia, eba! Abre uma cerveja e alcança uma revista de 20 anos atrás. Lê notícias que nem foram grande coisa na época que a revista foi escrita. Vê anuncios de carros que hoje são sucatas. Que merda tautológica. Levanta-se e pega um livro da estante. E esta  "biblioteca" merece um espaço só para ela.

O apartamento já foi alugado para milhares de pessoas. A pessoas alugam uma vez, se arrependem e nunca mais voltam. Naturalmente. Neste processo, acabam largando mais livros na estante de livros. Não é possível saber se pegam outros livros e levam embora (seria uma ajuda) ou se largam livros ruins como contribuição para aquela joça toda. De todo modo, os livros são de péssima qualidade. Best Sellers. Porcarias que fizeram sucesso em alguma década passada. Livros de veterinária. De escritores babacas que elogiam o mar e a vida praiana. Esse tipo de lixo afim com o ambiente. Quando se abre um deles (alguns já estão grudados), um aroma de papel velho, mofo, marisco e cigarro surge do livro. Melhor não ler nada.

E se pensa que é melhor assim, sem ler nada entre livros inúteis, você pode se deitar um pouco. Há uma cama lotada de ácaros, dura e desajeitada como uma mina de amianto . E o momento decisivo chega: que porra vim fazer aqui? Há tanta coisa legal no mundo, mas você veio se enfiar no meio da putrefação, destes panos gosmentos, de best sellers inúteis e ilegíveis, de saleiros com água dentro, de lençóis mofados, de corrupção universal. Que tipo de idiota aluga esse apartamento? Com milhares de praias, pousadas e hóteis, você vai se enfiar sempre na mesma praia, sempre no mesmo apartamento decadente. Não queira saber de quanto é o condomínio! Essa informação só tornará mais dolorosa a sua estada.

O lenitivo definitivo é o mar. A famosa paisagem marítima. E que não é lá grande coisa. A sacada é apertada. Fica entre um vão dos outros prédios. Com esnobice, declaram que aquele apartamento é privilegiado  pois os apês que dão visão para o mar completo, o marzão-em-si, são desengonçados. Os quartos ficaram estranhos e os banheiros não arejam.  Bom mesmo, de verdade, é o nosso apartamento. Se lá coisas já entram em ruína antecipada, imagino que vida mais desgraçada devem ter esses apartamentos com vista completa para o mar. Devem ser o local perfeito pra cometer suicídio. Ou uma chacina. Sou a favor desta última.

Do apartamento, a paisagem não é horrível. Tem uma ilha hipnótica. Como uma droga alucinógena, o cidadão entra ali e fica olhando, obliterado, aquela composição. Pedras, água, mar, vento, ondas. Nunca coisas tão banais foram tão valorizadas. Conforme o tempo que se passa olhando, não se quer olhar outra coisa. Ignoram-se outras praias. O universo passa  a ter apenas esta finalidade. Se você não olhar a ilha, será excomungado da família (por favor! onde é que eu assino?)

Mas até se pode compreender porque aquilo tem seu charme. Você chega e o porteiro faz de tudo pra ser simpático. Você tem um guarda-sol na praia (embora os proprietários sejam fisicamente incapazes de ir até lá). Há esse charme burguês extremamente sedutor para o cidadão comum da classe média babaca. Ele se sente reconfortado, reconhecido e valorizado quando despreza vendedores ambulantes que passam a cada 30 segundos em seu guarda-sol. Se a sociedade não reconhece meu valor, eu pago meu tributo ao mar! Ótimo, vamos nadar até a África, você na frente porque eu não sei o caminho. 

Se alguém fizer a conta de quanto dinheiro foi colocado ali, mês a mês, ano a ano, obterá uma soma tragicômica. E foi um dinheiro sem retorno. Ele não renderá juros. Não foi corrigido pela inflação, mas destruído pela maresia e pela estagnação familiar. Z e as três Marias poderiam ter feito um uso muito mais sábio desta grana. Mas não. Enfiaram e enfiam tudo neste apartamento do Guarujá. E elas ainda se consideram superiores, mais espertas e elegantes que a média nacional. Mas isto estará descrito na parte 2.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Mais imposto = menos consumo?


"Aumentaremos os impostos para o cigarro, assim tornaremos mais difícil o consumo".

Que retumbante falácia. Onde mais se consomem substâncias ditas prejudiciais, também é onde mais se recolhem impostos sobre essas substâncias. Países nórdicos dependem do consumo de álcool, que obviamente não caiu devido aos impostos. Islâmicos fumam caixas de cigarro por dia, sustentando boa parte das receitas governamentais (por favor, não parem de fumar!). Nenhum estado aumenta impostos para daí arrecadar menos. 

A frase acima, pérola politicamente correta, não passa de manchete confortável para as vovozinhas que assistem ao Jornal Hoje. O governo não tem a menor intenção em diminuir o consumo, mas sim em arrecadar mais. O aumento de impostos nunca diminuiu consumo destes infames produtos. 

E as empresas produtoras? O povo pensa que elas terão um futuro complicado pela frente. Mas o povo sempre pensa errado. As empresas fazem um muxoxo teatral e programático. Dizem: "ah, que droga, agora teremos de aumentar os preços para compensar os impostos (o que aumentará nossa receita, nosso giro, nossas margens, nosso tudo... é uma péssima notícia!). 

Campanhas de desarmamento, aumento de impostos, controle de receitas e quebras de monopólios parecem boas para o cidadão comum e ruins para as empresas. Mas é justamente o inverso. Portanto, fique esperto. Você paga mais pela breja, e recebe mais o quê em troca? 

Eu cobraria mais imposto de quem assiste TV e lê revistas tipo Veja, Época, Isto é. Esses babacas quem deveriam sustentar a sociedade. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Casos e Descasos de Sucesso




"Os Afogados de Diágoras" é um símbolo forte. Significa o silêncio para aqueles que foram eliminados (afogados), em contraste com o barulho acerca daqueles que se deram bem na vida (nadadores ou os que sabem se agarrar a algo que flutua). Exemplo simples seria as inúmeras matérias jornalísticas sobre CEO´s fodões, e o nenhum registro sobre os CEO´s falidos . 

Mas e o símbolo contrário? E quando a pessoa não aparece justamente por ter feito o seu trabalho bem? Quem são os desafogados de Antidiágoras? Os gênios do crime calados? Os comem-quietos? 

Só aparecem quando quando fazem merda: Ladrões, estelionatários e foras-da-lei em geral. Agricultores apreciados por narcotraficantes. Anestesistas, cirurgiões e enfermeiros. Funcionários públicos e contadores. Motoristas bêbados. Traders (só aparecem quando viram rogue) e agências de risco. Restauradores, tatuadores, gandulas, mecânicos de F-1 e roadies. Além da população (ah, que bondoso de minha parte!) que não tem seu talento reconhecido, basicamente por não ter qualquer talento a ser reconhecido ou trabalhar na prefeitura local. 

* Este texto não fará sucesso por ter acertado todas as concordância nominal.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Curtas Cortantes

As condições da vida moderna são a causa do aumento da incidência de câncer? Sim... Hoje morremos menos de todas as outras "coisas". Nada mais justo e óbvio que morrer de câncer. 

+_+ 

As condições da vida moderna são a causa do aumento das psicopatologias? Sim... Desde que também se acredite que o passado era idílico, lindo, justo, pacífico, generoso e em harmonia com a natureza. Se você acredita nisto, você merece uma depressão. 

+_+ 

As condições da vida moderna são a causa da sensação de que o dia deveria ter mais horas? Depende. A comparação é entre um playboy milionário de 1920, um suserano da França medieval, um aposentado atual, uma dona de casa de 1950? E o dia teria mais horas para se fazer o quê? Me diga: que porra a humanidade fará com mais horas se ela não faz nada que preste em largas e copiosas 24 horas diárias?!?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Digerindo Natal


Natal é uma puta cidade enorme, e eu adoro putas cidades enormes. As praias não são lá essas coisas, mas quem se importa com praias quando há uma puta cidade enorme atrás? Meu conselho é: acorde cedo. Para uma puta cidade enorme, as coisas fecham cedo demais (22:00).

Camarões Potiguar.

Esse troço precisa virar uma franquia urgente. Serviço competente e agil, menu e carta de vinhos bem casados. Pratos ótimos no preparo e na variedade. Sem segredo, fórmula de sucesso. 

Fomos de camarões ao molho de manga, pimenta verde e arroz com castanhas de caju. Prometemos voltar, voltamos, mas foi num dia em que todos tinham feito a mesma promessa. Havia uma fila quilométrica. Uma pena (eu estava animado pra comer até passar mal).

Mangai

É o mais famoso, o maior e uma grande furada. Buffett gigantesco, serviço horrível e armadilha turística de sempre. Se você é louco por comida nordestina (não é o meu caso), então tudo bem. Pelo menos, foi barato. E o pior: espalha-se pelo mundo feito uma franquia. 

Manary

Deu trabalho achar. É uma pousada, e você precisa que o recepcionista vá com sua cara para ele dizer onde é o restaurante. Chique, estiloso, ambiente "not Mangai". Um pouco intimidador para uma praia (Ponta Negra) onde o povo fica dançando "eu quero tchu, eu quero tcha".

Entrada: mini bruschettas de banana da terra com queijo coalho e manjericão. Prato principal: camarão ao pesto de castanha de caju, nhoque de tapioca com molho de abóbora. Mesmo com o serviço um pouquinho amador, dou nota onze. Se for a Natal, vá ao Manary, e nem passe pela recepção da pousada. O restaurante fica naquela enorme porta vermelha estilo "big trouble in little china" da rua lateral.

Agaricus

Cozinha contemporânea, mas bem afrancesado. Os pratos tem sempre cogumelos, batatas, manteiga e alguma palavra de la république. E o serviço estava excellent. 

Ragu de cogumelos. Hmmm... Nada de novo sob o soleil. Mas savoureux. Pedi o plat de résistance: Camarão ao molho de laranja, mel e pimenta verde. E da-lhe pimenta verde. Mais gratin dauphinois e arroz branco (que nem toquei). Inoubliable

Entusiasmado, pedi o Crème Brulée com Baileys. Quando em Natal, pergunte ao primeiro passante: "Voudriez-vous avoir l´obligeance de me donner l´adresse..." Ah, esquece. Peça pro taxi te levar a Av. Afonso Pena, 529 e fim de papo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Digerindo Noronha

Praias paradisíacas, estrutura precária, preços sensatamente exorbitantes. Fernando de Noronha é um mundinho próprio, tipo Fenda do Biquíni (cidade do Bob Esponja). Mais 10 dias e você se sentirá num inferno de mar transparente, uma Alcatraz cheia de eco-chatos, cervejas caríssimas e quase nada de civilização. Ao menos, não tem mosquitos. E um monte de gatos sociáveis e malemolentes. O tipo de lugar onde se fala: já fui... e nunca mais volto.

Restaurante Varanda

Pequeno e quase aconchegante. Os garçons andando pra lá e pra cá naquele assoalho de madeira irritam um pouco. Mas invoque uma caipirinha (são enormes) e concentre-se no menu e na carta de vinhos. A entrada de polvo com pimentão e vinagre balsâmico estava magnífica. 

Depois, moqueca. O peixe estava espinhento, e a moqueca, em si, mediana. Mas havia uma farofa frita viciante... e o indefectível pirão. Enfim, poderia ter impressionado mais. Serviço competente (raridade na ilha). Eu voltaria, se fosse mais "perto" do planeta Terra.

Restaurante Xica da Silva

Olhando o cardápio (e os preços), pensei "putz, entramos numa fria!". O cardápio estava pra lá de usado, sovado e espinafrado. E a variedade de pratos era pequena. Controlando o impulso de levantar e ir embora, pedi direto o prato principal. Demorou. Outro garçom veio confirmar o que eu havia pedido. Tratava-se de um risoto com mariscos, polvo e camarão, e um filé (cujo peixe não me recordo) ao molho de ervas. Chegou e estava muito bonito, e o sabor, excelente.

Os pratos que chegavam nas outras mesas também tinham esmero visual. E tentando sanar a falta da entrada, pedi sobremesa. Mil folhas de tapioca com queijo coalho, sorvete de côco e calda de goiabada. Por Júpiter! Recomendadíssimo, apesar do serviço estar meio capenga naquela noite (parece que todas as noites são assim). Talvez eles apostem no efeito surpresa. 

Alguma barraca na Praia do Cachorro

Sardinhas inteiras, com cabeça e tudo, empanadas e fritas. Mais as cervejas. Mais a paisagem. É realmente doce morrer naquele ponto específico do mar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ficar famoso foi sorte ou azar?

Condenado a mofar por algumas horas numa rodoviária, resolvi comprar um livro qualquer na banca de jornal. E era uma dessas bancas moderninhas, que parecem mini-mega-stores. Havia tudo do Bukowski lá. 

Que coisa. O cara demorou anos pra ser reconhecido. E foi. Depois, vira best-seller de pocket book em banca de jornal de rodoviária. Não farei qualquer julgamento a respeito. Só quero mostrar as infinitas variáveis que ocorrem na vida e na obra do povo "criativo".