Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

sábado, 19 de maio de 2012

O que eu sei que não sei da bolsa?

Explico melhor porque um ETF de Utilities é melhor que uma carteira ativa destas mesmas empresas.

Há vários modelos para se pensar a bolsa. Um deles passa pela "arbitragem da ignorância". Resumidamente, seria a hipótese de que compradores sabem mais que vendedores (ou vendedores sabem mais que compradores). Aquele que compra crê possuir informações sobre o desempenho futuro da empresa que os vendedores ainda não sabem. Do mesmo modo, vendedores crêem que as informações obtidas não provocarão maiores altas nas cotações, e por isso preferem vender. 

Ocorre portanto uma arbitragem da ignorância entre quem pensa saber mais, e quem pensa que pensa saber mais. Como é absolutamente impossível uma corrida entre sabidos e "sabidos", o stock picking parece fadado a se transformar em mais um mito... No final das contas, tudo dependeria da sorte. Mas sabemos que o estudo das empresas funciona, tanto como a arbitragem da ignorância funciona. E a sorte também.

Mas mas mas mas... em qualquer setor seria assim? Não. Há nichos de mercado que o investidor precisa de mais sorte do que de estudo. Setores onde saber mais realmente vale algo, e outros setores onde saber mais não tem qualquer serventia.

Exemplos. Num setor pouco regulado, sujeito a administrações (in)competentes, flutuações de câmbio/receita e volatilidade entre oferta x demanda, o stock picking costuma funcionar. Estudo cuidadoso pode ajudar o investidor na compra / venda de determinado ativo. Digamos que exista uma grande reserva mineral ainda não refletida no valor de mercado. Possíveis conflitos militares jogando com o câmbio. Ou algumas operações de hedge cabeludas. Vale a pena saber isso.

Supondo agora um setor regulado, pouco volátil, com receitas previsíveis, e onde a gestão não é driver de valorização. Igual Utilities. Compensa estudar mais para ganhar mais? Que informações disponíveis ainda não foram precificadas? Ocorrem sacadas geniais neste setor? No longo prazo, talvez um nerd sortudo consiga bater um indíce das empresas do setor elétrico. Talvez... (ou tudo não passou de sorte?)

Saber mais não tem correlação com ganhar mais. Assim, o esforço do investidor não será jubilosamente recompensado apenas por ele ser esforçado. Dependendo do setor, seria melhor comprar índice passivamente, e sem grandes sacadas. Às vezes, ficar entre as bestas é a atitude mais sábia.