Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Medieval on your ass

Não seria novidade dizer que superestimamos o nosso próprio sofrimento. Um chute no canto da cama, com o mini-dedo, dói... e como dói. Mas agora vamos jogar esse oceano de dor (para nós enorme) num riacho de agonia e sofrimento (para nós pequeno).

Para chegar ao ponto que desejo, primeiro preciso definir que ponto é esse. A quantificação de todas as mazelas que acontecem agora, neste mesmo instante, no universo. Tudo que causa dano a outros deve ser contabilizado e medido. Quero um número que coloque em seu devido lugar a topada na cama. Vamos começar.

Uma folha de capim, ao ser cortada por uma saúva, sofre? Sim... mas num quantidade infinitesimal. Não zero. Mas bem pequena. Agora imagine todos os vegetais do planeta que, neste momento, sofrem por qualquer causa (pisadas, comidas, privadas de água ou luz, enfim... tudo). Que número teríamos?

Passemos as saúvas. Quantas são exterminadas por donas de casas hiper higiênicas? Quantos vermes intestinais são extintos de barriguinhas subsaarianas por dia? Quantos pernilongos padecem nos quartos fumegados com d-aletrina? Claro, sabemos que insetos e assemelhados não sentem dor... mas a dor existe. Corte um grilo ao meio e testemunhe sua aflição. Se ele morreu, então sabemos que ele sofreu.  

Já deu pra sentir onde eu quero chegar. O tamanho da dor do universo. Imagine quantos moluscos agora fogem de seus predadores. Quantos plânctons padecem por minuto numa baleia. Quantos desmoronamentos bestas sepultam inúmeras criaturas vivas. Por minuto. Por segundo. Quantos imploram para viver ou para que suas feridas não infeccionem e se tornem o regalo de bactérias. Até o simples ato de escovar os dentes já seria contabilizado.

Podemos extrapolar e imaginar outros planetas cruéis, onde a sobrevivência de um depende da vida de outro. Planetas iguais ao nosso, não em natureza, mas em dor. Mas aí eu já estaria viajando, no espaço e na maionese.

Em resumo: quanto realmente vale o nosso sofrimento? As nossas dores são assim tão especiais e importantes? Não seria melhor perceber que somos apenas anônimos átomos perante um universo de dor e desespero? Dá próxima vez que chutar a cama com o dedo mindinho, não faça um escândalo... Foi apenas sua pequena contribuição minúscula perante ao tsunami de dor que ainda lhe resta.