Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quem Não Cola Não Sai da Escola*

Está proibido colar nas provas. A pessoa precisa saber a matéria. Isso separa o mundo entre bons alunos e os tontos que não conseguem “absorver” os ensinamentos. Esta receita acadêmica concretou-se tão bem na mentalidade moderna que sugestões serão julgadas impossíveis pelo corpo docente. O vestibular, a grande aberração, é a manifestação mais óbvia dessa cultura do “saber de cabeça e tirar 10” versus “colar e passar de ano”. 


Vamos criar um contraste entre duas situações corriqueiras. A primeira durante uma prova. O sujeito tem um tempo limitado para resolver os problemas apresentados, sem recorrer a fontes de consulta, amigos inteligentes ou internet. Tem de resolver sozinho, e suas respostas serão escrupulosamente avaliadas por um professor “que já sabe a matéria”. Ou seja, o teste é apenas pra saber ser você anda pensando como o seu professor pensa. Deste ponto de vista, você não será muito bem avaliado quando deixar de ter um professor... C´est la vie.


A segunda situação ocorre quando você já tem um diploma. Surge um cliente querendo uma... ponte pênsil. Ao contrário das provas de faculdade, você pode passar horas e horas na internet, conversar com todos os seus amigos fodas, e gastar as púpilas em livros, enciclopédias, revistas antigas. Enfim, não será feito um projeto “de cabeça” e apresentado para avaliação do cliente. A coisa se resume a ganhar o contrato e passar de ano, ou azedar na infame recuperação. Além disso, serão feitos muitos testes antes de se apresentar o resultado final ao cliente. É sensato fazer um projeto do nada, like a test, ou usar todas as fontes possíveis para que o projeto se torne real?


Se no mundo prático é fundamental que as pessoas tenham capacidade em consultar, pedir conselhos, sintetizar, escolher e testar resultados, por que o ensino baseia-se em conceituações ex-nihil, em testar o que se “sabe”, em criar condições abstratas onde o avaliado terá de usar sua bagagem intelectual sem apoios concretos ou problemas já solucionados?


Desta dicotomia surgem “aqueles que se orgulham do que sabem”, posteriormente profissionais banais, professores catedráticos e funcionários públicos cumpridores da lei ... Por outro lado, existem aqueles que colam pra passar de ano, e depois se tornam profissionais competentes e valorizados. Se eu fosse professor, só aprovaria os alunos coladores. Chega desta marmelada de “entender a matéria”, o negócio é saber onde procurar o conhecimento e como aplicar na realidade. Usar bem o Google ganha pontos na minha aula! Mas eu não sou professor, e nem quero ser.

* Professores não saem da escola. Portanto, nada de colar... temos de perpetuar a espécie!