Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

domingo, 1 de abril de 2012

Pornopopéia

Eis um livro que a famosa moral judaico cristã não apoiaria. Repleto de putaria, pó, goró, suruba, ácido, vadiagem, polícia... e toda a sorte de caos resultante das combinações destes ingredientes estão em Pornopopéia.

No começo, parece meio exibicionista e meio "bukowska". Mas o livro engrena. É engraçado. Doido. Culto sem ser metido a erudito. E repleto de achados verbais. Na "metade" do livro, temos a chave pra interpretar o narrador: não foi ele quem escreveu tudo aquilo? Talvez nada daquilo?

Então quem escreveu? O herói vive dizendo que um dia aquilo tudo virará um filme, e descreve algumas cenas com o olhar absoluto duma câmera. Não relata pra quem ele enviará o suposto embrião do roteiro de sua vertiginosa queda. E dá ordem expressa para o verdadeiro escritor alterar ou mesmo deletar vários trechos.

O cômico e a putaria permancem por todo o livro, mas com intromissões da realidade contemporânea. Zeca, o suposto narrador, escancara nossa sociedade consumista, delirante e babaca. Percorre o livro a duvidosa relação entre patrões e funcionários, contratados e contratantes, maridos e esposas, clientes e fornecedores, turistas e nativos, viciados e traficantes. Principalmente, a estranha definição entre os personagens e o verdadeiro escritor. 

Enfim, não saberemos quem é o algoz e quem é a vítima. Talvez seja fácil ler Pornopopéia rindo das aventuras de Zeca, como se tudo fosse apenas um entretenimento boca-suja. Mas há estes conflitos sinistros por todo o livro. As dúvidas não esclarecidas tornam a obra leitura obrigatória, separando a literatura banal deste retrato preciso, cinematográfico, de nossa época.