Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

domingo, 22 de abril de 2012

O Verdadeiro Preço de uma Saboneteira


Desde que me mudei para o apartamento, meus vizinhos me causam incômodo. Não porque sejam festeiros, ainda bem, mas pela falta de educação financeira. Todos estão animados para “investir” nos seus apartamentos. Menos eu. Meu problema é “Quanto se gasta com um imóvel e o que realmente lucramos quando, e se, o vendemos 10 anos depois”.

A sabedoria popular diz que esse é um dos melhores investimentos que o indivíduo pode fazer na vida. Uma verdade do ponto de vista do conforto e tranquilidade. Proprietários dormem melhor que inquilinos. Mas, pelo lado financeiro, furada sem tamanho. Veremos com algumas continhas desagradáveis.

Supondo que eu comprei uma casa enorme, no ano 2000, por 200 mil reais. E a vendi em 2010 por 700 mil reais. Belo lucro, dirá a sabedoria popular, dá pra comprar 3 casas iguais àquela e ainda sobra algum!... Eu já disse que a sabedoria popular não sabe bosta nenhuma. Vou dar mais alguns números:  

+ Inflação de 6% ao ano.

+ Benfeitorias no imóvel por ano: 5 mil reais (inclui armários embutidos, pisos, iluminação, pintura, mobiliário e trecos cotidianos). Parti do princípio que essas melhorias aconteceram ao longo dos 10 anos em que morei na casa. Primeiro a marcenaria, pisos, depois cortinas e outras groselhas. E por fim, a típica pintura antes de vender o imóvel. Imaginei 50 mil reais ao longo do tempo, e a média seria os 5 mil citados.

+ Gastos com o imóvel por ano: 4,8 mil reais (inclui impostos, segurança, jardineiro, manutenção, etc). Usei o mesmo princípio das benfeitorias , exceto que estes gastos não são opcionais.

Vou explicar como eu chegarei num número monstruoso. A conta foi montada assim: Os gastos mensais, de 9,8 mil reais no primeiro ano, foram corrigidos pela inflação. Portanto, no último ano, eu teria gasto 16.556,89 reais com o imóvel.

Inflacionei então os 200 mil do imóvel somados aos valores anuais corrigidos dos gastos. Por 10 anos. E cheguei aos tremendos 523.738,47 reais. Esse é o valor quanto gastei com a casa própria. Se a vendi por 700 mil, não tive um lucro de 500 mil reais, mas sim de 176.261, 53 reais. Só! Nota-se a diferença entre “lucro psicológico” e o verdadeiro lucro financeiro.

Veja que a inflação e os supostos “investimentos” no imóvel são, na realidade, um buraco negro de dinheiro. Além dos 200 mil, tirei do meu bolso outros 323.738,47 com o imóvel. Culpa dos impostos, das malditas luminárias e dos armários sob medida que hoje estão fora de moda e meio banguelas. Exagero meu? Claro que não. Uma luminária de 50 reais em 2000, graças a inflação, tornou-se uma tranqueira de 84,47 reais.

Séria punhalada financeira. Vou agora dar 2 exemplos do porquê o sonho da casa própria é uma furada. First, a depreciação. Lembra da luminária de 84 reais? Ela seria vendida no Mercado Livre por 10 reais, no máximo. Por isso estão vendendo aquela casa recém construída por 1 milhão de reais. Enquanto a minha foi vendida por 700 mil, já com armários banguelas e luminárias do Mercado Livre.

Segundo.  Ao invés de “investir”  200 paus na casa, se eu tivesse comprado títulos do tesouro pré-fixados que pagassem inflação mais 4% ao ano... menos 15% de IR... eu teria líquidos 400.851,10 reais. Bem melhor que os 176.261, 53 reais da minha grande sacada imobiliária.

Portanto, não fique chocado quando entrar na minha casa. As lâmpadas ficarão pendentes do teto por um bom tempo. Não tenho paciência de procurar luminárias depreciadas no Mercado Livre. E não estou nem um pouco animado com marcenaria ou box de vidro temperado. O preço destas coisas está um absurdo (daqui a dez anos).