a) Badminton, atletismo e o próprio futebol feminino são pobres no Brasil. Quem não se importa com futebol devido a grana dos jogadores também não se importa com esportes onde as remunerações são, caso existam, mixurucas. Portanto, o emissor do clichê pode ser um grande invejoso e moralistazinho hipócrita. Paguem as contas e com o dinheiro que sobrar, ajudem alguma modalidade pé-rapada, porra!
b) A maioria das pessoas, a grande maioria, tem poucos chefes, e estes costumam ser mais ou menos educados. Imagine agora um jogador super top. Além de comissão técnica, dirigentes e empresários, existe a imprensa e a turba acéfala dos torcedores, que podem ser bem mais implicantes e grossos que a maioria dos chefes normais. Empregos arriscados deste tipo merecem uma remuneração acima da média, enquanto empregos banais merecem remuneração abaixo da média, apenas o suficiente para pagar as contas.
c) E se um jogador pagasse as contas do reclamante? Só se for parente. Subentende-se que a família do reclamante só produziu pernas-de-pau incapazes de pagar as contas do parentes parasitas, então não devemos nos preocupar com futebol. Aqueles que torcem para seus times são ou burros ou parentes de jogadores milionários, enquanto o pagador de contas é digno de uma atenção que não recebe. Oh, coitadinho!
d) Existe a bipolaridade confortável dos torcedores. Se o time ganhou um campeonato, "esse time só me dá alegria!". Se perde, "eles não pagam as minhas contas". O clichê geralmente cai em desuso quando algum time engrena uma série invicta. Ironicamente, durante as conquistas, os jogadores mais ganham dinheiro, e justamente nesta época seus torcedores não parecem aflitos com as próprias contas.
e) Quais contas um jogador teria pagar para fisgar a atenção dos usuários do clichê? As contas básicas ou inclusive o orçamento de lazer e viagens? Algum esporte já pagou contas para seus torcedores? Supondo que um Beckham pague as minhas contas, eu terei de pagar as contas do Beckham quando ele parar de jogar?
f) Na cabecinha popular os jogadores são ganaciosos e perdulários. Toda a grana deles é retirada da sociedade para financiar mansões e carros esportivos. A velha história do "Tira-se de José para dar a João". Os atletas ganham exageradamente, por isso há fome, e contas, no mundo. Tal falácia é absurda. Atletas ganham e gastam com rapidez. A maioria termina pobre. Logo, o dinheiro apenas passa por eles, e retorna para a sociedade. Se João tem muito, e José tem pouco, a culpa não pode ser automaticamente apontada para João.
Por favor, espero que ao tomar conhecimento destes pontos, o leitor jamais cometa o clichê... principalmente na minha presença. Obrigado.