Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Enfie suas contas no... débito automático

Existe um clichê comum. "Não me preocupo com futebol porque os jogadores ganham muito dinheiro e não pagam as minhas contas". Destruirei essa imbecilidade agora.
 
a) Badminton, atletismo e o próprio futebol feminino são pobres no Brasil. Quem não se importa com futebol devido a grana dos jogadores também não se importa com esportes onde as remunerações são, caso existam, mixurucas. Portanto, o emissor do clichê pode ser um grande invejoso e moralistazinho hipócrita. Paguem as contas e com o dinheiro que sobrar, ajudem alguma modalidade pé-rapada, porra!
 
b) A maioria das pessoas, a grande maioria, tem poucos chefes, e estes costumam ser mais ou menos educados. Imagine agora um jogador super top. Além de comissão técnica, dirigentes e empresários, existe a imprensa e a turba acéfala dos torcedores, que podem ser bem mais implicantes e grossos que a maioria dos chefes normais. Empregos arriscados deste tipo merecem uma remuneração acima da média, enquanto empregos banais merecem remuneração abaixo da média, apenas o suficiente para pagar as contas.
 
c) E se um jogador pagasse as contas do reclamante? Só se for parente. Subentende-se que a família do reclamante só produziu pernas-de-pau incapazes de pagar as contas do parentes parasitas, então não devemos nos preocupar com futebol. Aqueles que torcem para seus times são ou burros ou parentes de jogadores milionários, enquanto o pagador de contas é digno de uma atenção que não recebe. Oh, coitadinho!
 
d) Existe a bipolaridade confortável dos torcedores. Se o time ganhou um campeonato, "esse time só me dá alegria!". Se perde, "eles não pagam as minhas contas". O clichê geralmente cai em desuso quando algum time engrena uma série invicta. Ironicamente, durante as conquistas, os jogadores mais ganham dinheiro, e justamente nesta época seus torcedores não parecem aflitos com as próprias contas.  
 
e) Quais contas um jogador teria pagar para fisgar a atenção dos usuários do clichê? As contas básicas ou inclusive o orçamento de lazer e viagens? Algum esporte já pagou contas para seus torcedores? Supondo que um Beckham pague as minhas contas, eu terei de pagar as contas do Beckham quando ele parar de jogar?
 
f) Na cabecinha popular os jogadores são ganaciosos e perdulários. Toda a grana deles é retirada da sociedade para financiar mansões e carros esportivos. A velha história do "Tira-se de José para dar a João". Os atletas ganham exageradamente, por isso há fome, e contas, no mundo. Tal falácia é absurda. Atletas ganham e gastam com rapidez. A maioria termina pobre. Logo, o dinheiro apenas passa por eles, e retorna para a sociedade. Se João tem muito, e José tem pouco, a culpa não pode ser automaticamente apontada para João.
 
Por favor, espero que ao tomar conhecimento destes pontos, o leitor jamais cometa o clichê... principalmente na minha presença. Obrigado.