Vamos supor que o sexto andar tenha um faxineiro relaxado. O banheiro vive sujo, mijado e cagado. Lentamente, os funcionários do sexto andar passam a frequentar os banheiros dos andares próximos, e mais limpos. Assim, os faxineiros do quinto e do sétimo andar serão sobrecarregados, pois são mais competentes (injustiça? sim!). E o relapso faxineiro do sexto andar terá menos trabalho (injustiça? você já sabe a resposta).
Caso o faxineiro relaxado seja demitido, o novo faxineiro será brindado com uma ilusória realidade: o banheiro do seu andar constuma estar mais limpo que o dos outros. Será um faxineiro de sorte. Mas só por algum tempo. Logo os funcionários percebem que o banheiro do seu andar está limpo, ou o faxineiro do andar adjacente desanda... Ou os funcionários dos andares próximos consideram o banheiro do sexto andar tão limpo que merece uma cagada.
Cooperar (ou não) com o próximo é algo muito rotineiro. O interessante do dilema do prisioneiro é sua contaminação em praticamente todos os aspectos da vida diária e social humana. De condomínios a pegar carona com colegas de trabalho. Da pizza em família até declarações de imposto de renda. Estranhamente, os estudiosos da "teoria dos jogos" reclamam de poucos exemplos práticos. Por Jupiter, onde esses caras vivem?!