Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Na Teia da Aranha

A má fama das aranhas é injustificada entre humanos. O fato da fêmea aranha comer o macho aranha após o coito é visto como um ato frio e cruel. Mas, pensando pelo lado aracnídeo, chegaremos num estranho parelelo com seres humanos...

Aranhas sobrevivem comendo insetos do mesmo tamanho, ou de preferência menores, incluindo aranhas da mesma espécie. Assim, diferenças de tamanho revelam traços biológicos fundamentais entre machos e fêmeas. Quando documentários picaretas mostram aranhas da mesma espécie, com um macho minúsculo e uma fêmea enorme, não se deixe enganar: o nanico tem mais chance de sobreviver sendo cada vez menor... enquanto os machos grandes são pratos mais apetitosos.

O macho não comete a estupidez de comer a fêmea após a fecundação. Mas para a fêmea, comer o macho “comedor” é boa vantagem. Primeiramente, garante a primazia genética, pois o macho morto não mais espalhará seus genes pelo mundo. Segundo, ele é um alimento. E já cumpriu a função biológica.  

No mundo atual, as fêmeas humanas adquiriram uma tática mais sofisticada que as fêmeas aranhas. Ao invés de comer o macho, elas o fazem pagar uma taxa mensal que garantirá a vida do filhote. Biólogos e delegados chamam tal estratégia de “pensão alimentícia”.  Essa oferta será paga até os 18 anos da cria, idade em que ela já dispõe da capacidade de se reproduzir e pagar pensões.

Caso o macho não faça depósitos mensais em dinheiro, ele irá para a cadeia, onde não só ficará privado do trabalho, como dificilmente encontrará outras fêmeas. Pense numa espécie de aranha em que o macho, embora livre pra se reproduzir com outras aranhas, tenha de levar uma mariposa todo dia até a teia da aranha fêmea após esta receber bebês aranhas. Obviamente, os aracnídeos não adotam essa enorme complicação, mas humanos sim.

Esta característica da natureza humana garante não só a sobrevivência da fêmea, como também permite que ela se reproduza com outros machos, aumentando não apenas sua disseminação genética no planeta, como também o fluxo de caixa através de novas pensões alimentícias. Mais filhos contam como mais dinheiro. Matar os machos, portanto, seria uma tática idiota e mortal. O ideal seria ter o maior número de filhos com os machos mais ricos do ambiente.  

Os machos, porém, já colocaram em prática um método que evita o pagamento mensal. Envolve uma pequena mutilação nos órgãos sexuais chamada “vasectomia”. Este simples procedimento acaba revelando um impensado atavismo entre fêmeas humanas e fêmeas aranhas.

Como é sabido, a corte do macho à fêmea começa com rituais alegóricos, demonstrações de prosperidade e genes supostamente superiores. Consumado o ato sexual, a fêmea se sentirá traída pela secreta infecundidade masculina, e num surto de violência pretende matar o macho "falso fecundador". Há, entretanto, poucos relatos de canibalismo neste evento. Isso mostra que o atavismo entre humanos e aracnídeos encontra-se bastante fragilizado, embora o instinto assassino ainda se faça presente nas fêmeas contra machos indispostos a pagar pensões alimentícias.