Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

domingo, 16 de outubro de 2011

Video Game Forever

O Além cristão é compartimentado. Na gaveta de baixo, fica o inferno. Gaveta do meio: purgatório e a gaveta de cima, paraíso. Isso está no imaginário popular e não há modo de mudar. Uma vez lançado na determinada gaveta, fica-se lá. Exceto o purgatório, que ainda dá chance pra fixar residência gaveta acima ou abaixo. Depois, não adianta reclamar... Mas e se juntássemos tudo numa gaveta só? Pois sonhei o seguinte:

Após a morte, a alma cai na gaveta Além e terá de se relacionar com outras almas purgadas / condenadas / abençoadas. Parece video game, e é... Um jogo sem fim. No eterno e infindável Além, muitas almas vão tirar das almas recém-chegadas aquilo que elas conseguiram de bônus na vida terrena. E outras almas mais experientes usariam do mesmo procedimento. Para “sobreviver”, a alma seria obrigada a se defender e até atacar. Muitas vezes perderá tudo. E a alma reseta para o início, como se acabasse de morrer, desta vez sem nada para chamar de “eu”.

Se tentando ser bonzinho você só se ferrou no Além, que tal ser do mal? Ou lutar por passatempo (sobraria tempo à criatividade)? Assim, paraíso ou inferno seriam tolas ambições pessoais, e a alma não teria qualquer recompensa real ou perene, nenhuma hierarquia ou mérito. Tudo que se fizer nesta vida, será perdido e talvez reconquistado após a morte, numa luta imaterial para não perder, ou ganhar mais, imaterialidades... Que doideira.  

Survival of the fittest soul. Portanto, adaptação e darwinismo extrapolam a vida terrena e invadem a metafísica. Aqueles que citam “descanso eterno” estão redondamente enganados. Será uma selva abstrata... Mas, ao contrário do mundo real, cada vez que uma alma perdesse tudo, recomeçaria do zero, como um RPG sem fim...

Então acordei. E aliviado, lembrei que não existe Além, almas são meras abstrações neuronais e que, quando se morre, kaputt. Game Over Forever. Ufa...