Que porra é essa?!?

Explico. Cthutlhu é uma criatura fictícia. Um ateu (sempre eles) chamado H. P. Lovecraft criou-a no conto "The Call of Cthulhu". Versa sobre um ser do mal, com poderes sobrenaturais, capaz de viajar no tempo-espaço. E com apetite por humanos. Cthulhu parece um humanóide, mas é enorme, verde e escamoso. Uma cabeçona com muitos tentáculos na mandíbula e asas de morcego nas costas. O protagonista borra nas calças quando vê Cthulhu. Então, numa noite insone, matutei:

"Oras, por acaso não seria Cthulhu um humano do futuro distante? Após milhares de anos de evolução, a barba pode virar tentáculos. Aumento da inteligência = puta cabeça grande. Se aparecermos assim para um humano atual, é claro que este ficará petrificado. E quanto a comer humanos? Hoje comemos vacas (até que se prove o contrário, vacas são nossos parentes). Muitas criaturas comem parentes obsoletos ou distantes. Enfim, existe a possibilidade, embora quase nenhuma probabilidade."

Passei a pensar em outros absurdos naquela noite. Mas uma linha evolutiva a partir do macaco, passando por Darwin (um dos meus heróis) até Cthulhu, grudou em minha imaginação.



Este é um blog sobre essa e outras idéias que assolam minha mente. Sobre a "vida", a bolsa de valores, filmes, livros, etc. Principalmente “etc”. Também vou tirar sarro daquelas criaturas que ainda estão entre o macaco e Darwin. (E sim, a imagem acima foi desenhada toscamente por mim)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Há mais coisa entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha o seu vã IPO.


IPO = Innitial Public Offer. Imagine-se dono soberano de uma empresa. Você resolve que é hora de crescer, e lançar ações na bolsa. Então você vende X por cento da sua participação para pessoas que nunca soube existir. Tá feito seu IPO. 

Agora, imagine que, ao invés duma empresa, o que você tem é uma idéia. Parece estranho, mas a bolsa brasileira tem exemplos. Sujeitos ou corporações que tiveram idéias e, para viabilizá-las economicamente, resolveram vender porcentagens dessas idéias.

 IPO`s colecionam detratores, aos montes. Mas vejo uma falha na crítica de IPO´s de empresas pré-operacionais. Reclamam que não há histórico, que não tem balanços publicados, que não se conhece a gestão, que não tem lucros. Como fazer um valution? Como saber os fundamentos “reais”?

Porra! É óbvio isso... acertam os sintomas mas não tem pista da doença. Uma empresa com históricos e lucros não é fruto duma idéia. Não senhor. É sim fruto dum longo processo darwiniano. Um histórico de sobrevivências, erros, adaptações, ajustes pontuais e teimosia. Elas só estão listadas em bolsa porque continuam existindo. 

Claro que os CEO serão elogiados por sua “visão e estratégia”, mas a coisa cheira a pragmatismo chão e comezinho. Dia-a-dia matando leão. O processo é tão complexo que torna-se inútil procurar os fatores que a fizeram chegar a bolsa, e continuar existindo com capital aberto. Gostamos de acreditar nestas fábulas administrativas, mas sabemos que, lá no fundo, tudo não passa de lutar para não morrer.

Agora, toda essa longa cadeia evolutiva foi abreviada quando há um IPO de empresas pré-operacionais. As empresas nem existem de fato. Não é uma questão de balanço na CVM ou dividendos, mas simplesmente de frio teste da realidade. A secretária faz café? Como a secretária chegou lá? Como o pó de café chegou lá? Expresso ou no coador?  (ehehehe). Como é que vocês chegaram a tomar café lá? Outro exemplo seria projetar um animal, e dizer que ele será um puta predador das savanas. “Jura!? Será uma mistura de tigre e Ajudante de Papai Noel? Caraco, vamos comprar ações deste Totó-Guepardo!”

Antes de comprar boas idéias, veja se a empresa sobrevive no mundo real. Se há uma Realidade. De maneira mais “auto-ajuda”, invista apenas nos seus sonhos. Quando vier o teste da realidade, basta ficar na frente do espelho. Se possível, faça um IPO da sua idéia. Tem gente desesperada pelo sonho alheio.